''Sou a favor de que se cumpra a lei que proíbe a introdução de espécies exóticas em nossas bacias hidrográficas, atividade classificada como crime na legislação do meio ambiente''. A afirmação é do procurador Saint-Clair Honorato Santos, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Proteção ao Meio Ambiente, em Curitiba. Foi ele quem determinou o início das fiscalizações na bacia do Paranapanema, em julho de 2001. Saint-Clair recomenda que a pesquisa se concentre na criação de peixes nativos, como forma de favorecer a rentablidade dos piscicultores.
O procurador é taxativo quanto a sua posição sobre o cultivo de tilápias. ''Temos que, sempre que possível, manter estes ambiente íntegros''. O Ibama, para ele, não é a melhor referência para determinar o que pode ou não ser criado. ''Já autorizaram a criação de camarões-da-malásia no nosso litoral e depois tiveram que revogar a licença'', exemplifica. Ele sugere o biólogo da UEL, Mauro Luis Orsi.
O analista do Ibama, Odair Antunes Siqueira, de Londrina, que coordena as operações de fiscalização da piscicultura no Paranapanema, garante que as autuações vão continuar. A recente paralisação nas operações ocorreu devido a uma greve dos funcionários do órgão, encerrada na última quarta-feira. Ele explica que a licença ambiental é necessária em qualquer atividade que tenha potencial risco ambiental.
No caso dos tanques-rede, Siqueira justifica que o Ibama ainda não concluiu a análise dos riscos da atividade. ''Concordo que há demora, mas isso é prudência. Os estudos ainda não são conclusivos''. Segundo ele nem mesmo a UEL teria certeza da segurança da atividade.''Recebemos dois pareceres contraditórios''. Um deles, contrário à atividade, foi emitido pelo biólogo Orsi, citado pelo procurador.
Sobre o tratamento dado aos criadores pelo órgão em São Paulo, Siqueira diz estranhar a informação. ''Não existe Ibama de cá ou de lá. O licenciamento é concedido em Brasília''. Ele presume que os produtores paulistas estão mais organizados: ''deviam verificar o que ocorre naquele Estado'', sugere.
O biólogo Mauro Luís Orsi defende o parecer da Sociedade Brasileira de Ictiologia (que trata sobre peixes). A entidade não é contrária a atividade dos tanques-rede, e sim a introdução de espécies exóticas, ''pelo alto risco de impacto ambiental que elas representam''. Ele alerta que nos tanques, mesmo com o tratamento de reversão sexual, ainda sobram espécies com potencial reprodutivo. A tilápia domina os ambientes onde consegue se desenvolver, como ocorre no Tietê. ''É isso que estamos querendo evitar'', justifica.
Orsi discorda da informação de que a espécie já esteja estabelecida na bacia do Paranapanema. ''O número de peixes capturados é pequeno e são escapes de tanques-rede'', garante. Do ponto de vista econômico, Orsi concorda que o sistema de criação em tanques-rede é rentável, mas muito caro. ''Os produtores estão muito mal orientados''. De acordo com o biólogo há um pacote tecnológico que permite a atividade com espécies nativas.(C.G.)

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