O agricultor Celso Murofuse, de Mamborê (36 km ao sul de Campo Mourão), se considera um pioneiro na implantação do sistema de integração lavoura e pecuária. Agrônomo, filho de agricultor, Celso optou pela integração desde 1994. Numa tradicional região produtora de grãos, resolveu que a pecuária poderia ser outra fonte de renda para a propriedade e, pelos resultados até agora obtidos, seu objetivo foi atingido.
Ao integrar produção de grãos e pecuária o agrônomo conseguiu ocupar 100% de sua propriedade, tornando-a lucrativa e sustentável. Ele consegue driblar as dificuldades de mercado aproveitando os bons momentos de uma ou outra atividade.
Na média dos últimos quatro anos Celso tem conseguido com a soja um rendimento de 140 sacas por alqueire e com o milho de 350 a 360 sacas. Já o rebanho de gado de corte, somente a pasto sem suplementação, chega a ganhar até um quilo por dia no inverno, com média anual de 850 gramas/dia.
No verão Celso Murofuse cultiva soja e milho e no inverno há trigo, aveia, aveia branca, azevém e triticale, esses últimos utilizados também para a alimentação do rebanho de cruzamento industrial para a produção de carne. Dez por cento da área é cultivada com milho safrinha. Quando a lavoura rende bem ele vende o grão. Quando há perdas parte do material vai para o gado e o restante é incorporado ao solo.
As pastagens de verão estão em solo de alta fertilidade. O pastoreiro, em capins mombaça e tânzania, é feito com rotação em piquetes. A adubação é feita de acordo com análise do solo. O bom trato garante alimento para 10 a 12 cabeças de bois/ha no verão e de 3 a 5 no inverno, mantidos no pasto de forrageiras.
As forrageiras cultivadas no inverno servem também para a produção de palhada, a ser incorporada ao solo, no plantio direto das culturas de verão. O segredo, segundo Celso, é manter uma produção de forrageiras que garanta bom desempenho animal e beneficiar a agricultura que virá depois.
Todas as áreas recebem a adubação nitrogenada e uma formulação, além do esterco do gado que colabora para manter o nível de fertilidade do solo. Parte dessa adubação fica residualmente na terra e beneficia a lavoura de verão. ''Trato o pasto de inverno como se fosse uma lavoura. Ele vai abastecer a necessidade de nutrientes da cultura subsequente.''
O agrônomo reconhece que a adubação de pastagens é um manejo desacreditado da maioria dos pecuaristas. ''Muitos se esquecem de que o pasto é também uma lavoura. Quem faz sabe que o gado responde muito bem em produção. O manejo sai caro se não houver desempenho animal.''
A maior vantagem na adoção do sistema de integração está na possibilidade de ter duas fontes de renda. Além disso, há aproveitamento total da propriedade, da mão-de-obra e maquinário. ''Quando se planta só grãos existem limitações. No inverno, por exemplo, não há como plantar nas baixadas ou áreas suscetíveis a geadas.''
Embora o caso da soja seja exceção, reconhece Celso, quando um produto tem preços muito bons numa safra, na temporada seguinte há aumento de plantio, maior produção e queda de preços, prejudicando a rentabilidade daquele produto. Com a integração, insiste o produtor, quando uma atividade vai mal a outra compensa. ''Dificilmente as duas atividades vão estar em baixa.''
''Nos últimos seis anos a rentabilidade com a pecuária foi maior nos três primeiros anos e dali para frente a lavoura tem sido a fonte de maior renda. Mas isso pode se inverter. Por isso não largo nem de uma nem de outra,'' diz.
Atualmente Celso tem 70% do faturamento com grãos e 30% com a pecuária. ''Isso só é possível com bom embasamento técnico e muita paciência. A reposta sempre vem a longo prazo e não há como ser imediatista.''

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