Eles vinham analisando desde 1994 a viabilidade da cultura, até concluírem que o abacaxi poderia ser um bom negócio para as pequenas propriedades. Em dezembro começarão a colher sua primeira safra, em 10 hectares, do total de 20 ha ocupados por essa fruta, que também vem sendo cultivada na região Noroeste (ver Folha Rural nº 1130, de 12/9/98), com bom resultado. Os produtores esperam colher 500 toneladas, que venderão na Ceasa (Central de Abastecimento S.A.) de Foz do Iguaçu e para uma indústria da Cooperativa Agropecuária Três Fronteiras (Cotrefal), em Itaipulândia.
Outra possibilidade de ganho para os produtores é a venda de mudas, pois o cultivo de abacaxi tende a, pelo menos, dobrar no próximo ano, segundo prevê a Emater. As expectivas com a colheita do abacaxi ‘‘são as melhores possíveis’’. Carlos Alberto Campos, extensionista da Emater em Itaipulândia, informa que neste ano o excesso de chuvas em agosto e setembro não deve prejudicar o desenvolvimento dos frutos. Como a região é muito ensolarada, os frutos produzidos ‘‘são doces e têm a qualidade exigida pelo mercado’’. O técnico acrescenta que neste ano os preços ao produtor devem ser melhores, já que a procura pela fruta deve aumentar, pois em Minas Gerais, tradicional produtora de abacaxi, a estiagem prejudicou a produção.
Sem geada, rendimento bomA iniciativa de produzir abacaxis no Oeste do Paraná surgiu em 1994, tomada por alguns agricultores e técnicos do Sistema Estadual de Agricultura, com apoio das prefeituras municipais. O clima livre de geadas, na região do Lago de Itaipu, foi o fator que mais contribuiu para a decisão de cultivar a fruta.
Arquivo FRProduçãoLavouras de abacaxi vêm se expandindo no Noroeste e no Norte do ParanáO extensionista da Emater-Pr em Cascavel, Odilson Peliser, lembra que a demanda ‘‘muito grande na região’’ também incentivou os agricultores. ‘‘Somente em Foz do Iguaçu e Cascavel o mercado potencial para o abacaxi é de aproximadamente 10 mil toneladas anuais - ‘‘a produção de 300 hectares’’.
Na região oeste o abacaxi está sendo plantado em pequenas áreas. Peliser diz que muitos agricultores estão observando, para saber como a cultura se comporta e como o mercado absorverá a produção regional de abacaxi. Nos 20 hectares plantados até agora foram usadas mudas do Norte do Estado, São Paulo e Minas Gerais. Os agricultores foram orientados por técnicos da Emater. A partir do próximo ano dois produtores, de Itaipulândia e Missal, venderão mudas fiscalizadas, ‘‘o que deve aumentar a produtividade das lavouras e a qualidade dos frutos’’.
‘‘No primeiro ano o rendimento das lavouras de abacaxi foi muito bom e os produtores comercializaram as frutas em feiras, a preços entre R$0,20 e R$0,25 o quilo. O lucro chegou a R$5 mil por hectare’’, observa Peliser. Ele acrescenta que o agricultor pode ganhar mais ainda com a venda de mudas: dois ou três meses depois da colheita o pé de abacaxi começa a soltar brotos. Em um hectare o agricultor chega a colher 80 mil mudas, pelas quais obtém R$5 mil.
Com esta expectativa, os produtores pretendem aumentar a área de plantio. Peliser informa que a partir do próximo ano serão plantadas mais 600 mil mudas em municípios do Oeste do Paraná. Na primeira safra colhida no ano passado a produtividade chegou a 45 toneladas por hectare, em média. Entretanto, os técnicos acreditam que haja potencial para aumentar essa média para 60 toneladas/ha.
IndústriaA Cooperativa Agropecuária Três Fronteiras (Cotrefal), de Medianeira, está investindo em uma unidade para transformação de vegetais, em Itaipulândia. Esta indústria também está estimulando os produtores a ampliarem o plantio de abacaxi na região do Lago de Itaipu. A prefeitura do município aplicou R$2 milhões na infra-estrutura e a Cooperativa investirá mais R$2 milhões na obra. A indústria terá capital de giro de R$500 mil.
Segundo informações da diretoria da Cotrefal, citadas pela Assessoria de Comunicação da Emater, a intenção é trabalhar com a produção de congelados, conservas, sucos, venda de frutas in natura e, futuramente, carne de frango. Para atender a demanda da indústria, serão necessários 400 hectares somente para hortaliças.
A nova unidade da Cotrefal terá 7,5 mil metros quadrados e gerará 100 empregos diretos. A capacidade da indústria é de congelar 2,5 toneladas/hora de milho e ervilha. Já a produção de conservas seguirá a demanda do mercado. No próximo ano entrará em atividade a produção de frango de corte. A nova indústria será inaugurada hoje. O abacaxi produzido em Itaipulândia será preparado para o comércio in natura em uma packing house e deve também ser transformado em suco nos próximos anos.

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