Depois de um outono seco, que queimou as pastagens e deixou pouca massa no solo, os pecuaristas do Noroeste do Paraná estão fazendo plantio de aveia para pastejo. O objetivo é garantir alimento para os animais durante o inverno. A região concentra o maior rebanho de gado de corte do Paraná.
Os produtores de gado leiteiro que apostavam no milho para fazer silagem também estão em alerta. A estiagem prejudicou lavouras inteiras. Na região de Campo Mourão, Centro-Oeste, normalmente o produtor já se prepara para enfrentar o inverno fazendo a silagem. Mas este ano o cenário mudou um pouco: houve queda na produção do milho safra e a seca no outono causou quebra na produção do milho safrinha inviabilizando, em muitos casos, o feitio da silagem. Muitos produtores apenas passaram a grade no safrinha e incorporaram o material no solo. As alternativas agora podem ser uso da cana ou do napier triturados, além do plantio da aveia para o pastoreio.
O técnico João Batista Barbi, zootecnista da Emater/Seab, que atende produtores do Noroeste e Oeste, disse que os estoques de sementes de aveia nas cooperativas ou revendas de insumos estão se esgotando.
Mesmo depois de encerrado o prazo recomendado para o cultivo da aveia naquela região, que vai até 15 de maio, os pecuaristas estão apostando na alternativa já que com 60 dias da lavoura implantada já é possível soltar o gado para pastorear. ‘‘Nos pastos nativos existe pouca oferta de massa para os animais e a falta de alimentos para o inverno é preocupante.’’
Segundo o técnico as consequências da falta de alimentos será sentida nos meses de agosto e setembro. ‘‘Ainda há tempo de tomar alguma providência,’’ alerta. Quem não fizer nada terá que vender animais, avisa. Segundo ele a alternativa de suplementar e usar ração não é viável economicamente para muitos produtores. Além disso, lembra que os animais também necessitam de alimento volumoso, verde, para se manterem. Também os farelos ou grãos podem ficar inviáveis economicamente. O milho, por exemplo, tem se mantido com preços altos pela queda na produção em todo o Sul do País.
Uma outra alternativa para aquela região pode ser a sobra de cana, adquirida em usinas. Há também produtores se especializando na produção de feno para a venda.

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