Depois da aftosa, da seca, da chuva, mais uma dificuldade para produtores rurais: estradas em condições precárias. Buracos, falta de cascalho, desníveis, mato alto. ''Este ano que o agricultor achou que ia pagar um pouco da dívida, vai ter prejuízo. Na relação saca/caminhão, a perda será de 33%'', quantifica o produtor de milho, soja e leite, Vilson Mouro. Ele, que também é diretor do Sindicato Rural de Londrina, se soma a outros produtores que estão preocupados como vão escoar as safras de milho e soja no final do mês.
''Aqui no Patrimônio Selva temos 15 produtores que colhem quase 20 mil sacas de grãos nesta primeira etapa. Cada caminhão poderia levar 250 sacas, mas nestas condições levarão no máximo 150. Pagamos o imposto territorial, o imposto sobre cada saca e mesmo assim vamos perder por problemas que não são nossos'', reclama. Outro agricultor, José Roberto Caria Mortari, que tem propriedade na região do Três Bocas, está recuperando parte da estrada por conta própria. ''São nove quilômetros que tenho que mexer senão não há como tirar minha produção. Isso é certo com quem paga ITR (Imposto Territorial Rural)?'', questiona.
Enquanto a reportagem percorria a região, na estrada Geraldo Toledo (Patrimônio Selva), uma cena que segundo Mouro já se tornou recorrente: produtores com enxadões nas mãos puxando terra para cobrir os buracos da estrada, já cheios de pedaços de madeira, também trazidos por eles. ''Senão ninguém passa aqui. Em mais de 60 anos nunca vi uma situação dessas'', aponta Natalino Aliberti, que tem propriedade ali desde 1947. Ele estava preocupado, pois vai começar a carregar os caminhões com soja nos próximos dias e, segundo afirma, o sacolejar dos veículos acaba derrubando e perdendo muitos grãos. ''A situação está de um jeito que não dá. Precisava de uma ação com urgência''.
Outro problema levantado por Vilson Mouro é a falta de roçagem do acostamento das estradas. ''O mato está tão alto que não passam dois caminhões. Quando alguém vai sair da propriedade, verifica por celular se não tem outro caminhão na estrada, porque não tem como encostar para dar passagem''. Essa dificuldade tem feito com que ele também perca parte do leite que produz. Diariamente são 800 litros que são entregues a uma empresa local. ''Eles disseram que se continuar assim não vão buscar mais. Principalmente em dia de chuva. E aí como eu fico? Tenho que sustentar minha família''.
Ele ainda chama a atenção para a situação das vans escolares, que já enfrentam dificuldades para buscar os alunos. ''Em dia de chuva é quase impossível. Quando os meninos chegam de pé sujo na escola a professora ainda dá bronca''. Uma comerciante local, que não se identificou, também reclama do acesso aos ônibus urbanos. ''O rapaz já até avisou que vai descer por outro caminho, porque por aqui não dá. A gente tem que andar mais agora''. As dificuldades com estradas ruins não afetam apenas os produtores. A moradora do Patrimônio Selva, Luciléia Silva, destaca que o caminhão do lixo também tem dificuldade de passar. ''Tem vezes que ficamos 15 dias com o lixo acumulado em casa''.

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