Cláudia Barberato
De Londrina
‘‘Uma boa dose de otimismo, baixo custo de produção e livre das dívidas’’. Esse é o desabafo do cafeicultor Milton dos Santos, de Santa Cecília do Pavão, no Norte do Paraná. Santos foi um dos agricultores responsáveis pela retomada da cafeicultura naquela região.
Assim como todo o Norte do Estado, Santa Cecília do Pavão já teve muito café plantado. Na década de 70 os cafeeiros foram erradicados e no lugar deles, naquele município, plantou-se algodão. A cultura do algodão entrou em decadência nos anos 90 e a partir da tecnologia do café adensado abriu-se um desafio para os agricultores.
Com a retomada da cafeicultura no Paraná, a partir da tecnologia do plantio adensado, Santos plantou 1 hectare (ha) de café. ‘‘Na época fui chamado de louco. Mesmo assim recuperei o solo, plantei o café e com o primeiro plantio, em 1994, consegui saldar minhas dívidas do algodão e agora só vou colher os lucros’’, garante Santos.
Associação própria Milton Santos é um dos 27 agricultores que estão apostando no café, para agregar maior valor à propriedade agrícola. Eles fundaram no último dia 22 a Associação de Cafeicultores de Santa Cecília do Pavão. O município tem no total 65 cafeicultores mas, por enquanto, apenas 27 estão na associação.
‘‘Todos os produtores têm áreas pequenas, onde plantios de soja e milho não são viáveis economicamente e o café encaixou-se bem’’, afirma Ricardo Paiva, o presidente da associação. Segundo Paiva, os produtores da associação mantêm uma área total de 130 hectares. ‘‘Parece pouco, mas não é. No total são mais de 1 milhão e 500 mil pés de caf钒, explica.
Baixo custo A vantagem do café para aquela região, segundo Paiva, está no baixo custo de produção e na ‘‘alta produtividade’’. O café tem rendido aos agricultores uma média de 90 sacas beneficiadas por hectare. Há casos, como o do produtor Milton Santos, em que já se colheram 160 sacos beneficiados por hectare. O custo de produção, também na média, é de US$50,00 a saca.
Santos tem hoje 40 mil pés de café e a expectativa de colher nos 6 hectares cultivados 600 sacas beneficiadas, numa média de 100 sacas por hectare. O cafeicultor conseguiu, além da alta produtividade, baixar ainda mais o custo de produção e hoje gasta R$46,00 por hectare. A média nacional é de 12 sacas beneficiadas por hectare.
Rentabilidade Na região, de acordo com Paulo Paiva, que também é agrônomo da Emater local, o rendimento de um hectare de café adensado, considerando médias de produção, produtividade, preço, entre outros fatores, representa o mesmo rendimento de 35 ha de soja.
O presidente da Associação de Cafeicultores, Paulo Paiva, conta que o objetivo da entidade, além de fazer compra de insumos e conseguir maior prazo de pagamento, é beneficiar o café e criar uma marca própria. Dos planos para 2001, outro trabalho da entidade, consta a organização de cursos para produtores e técnicos na adoção de novas tecnologias.
A compra conjunta, explica Ricardo Paiva, possibilita queda de preço do produto, além do aumento de prazo para pagamento. Na verdade, segundo o presidente da Associação, esta compra já estava sendo feita de maneira informal.
Na área técnica a associação pretende criar cursos de capacitação dos produtores e dias de campo sobre novas tecnologias de produção. Outra providência será incluir a associação no orçamento do Governo Federal que prevê recursos para entidades de produção e conseguir recursos para a construção da sede da associação e de um barracão de processamento.
Agregar mais O processo de industrialização, segundo Ricardo, deverá começar no ano que vem com o beneficiamento da produção e continuar em 2001 com a torrefação do café para venda direta ao consumidor. Hoje a produção é vendida para cooperativas. ‘‘Hoje a maior fatia do agronegócio é de quem processa e vende a produção; não só no café, mas em qualquer setor agrícola. Queremos assumir essa fatia do processo e agregar maior valor a nossa produção’’, garante Ricardo Paiva.
De acordo com o agrônomo só o beneficiamento da produção proporciona um acréscimo de 15% de ganho ao produtor. Torrar e vender direto ao consumidor pode elevar este ganho para até 40%.
Expectativa A cafeicultora Jocélia Martins de Mello, única produtora da associação, já fez as contas do quanto pode representar a cultura do café. Ela mantém a maior área de café dos filiados da associação. São 14,5 hectares, plantados há três anos. ‘‘Tem café de todas as idades’’, avisa Jocélia.
Na colheita do cafeeiro com menos de três anos de produção o rendimento somou cerca de 72 sacas beneficiadas por hectare. A expectativa é dobrar a produtividade no café de três anos, que irá atingir pico de produção nesta safra. ‘‘Caprichei na adubação e nos tratos culturais e deverei colher bem’’, afirma a produtora.
Competitividade Esse otimismo, segundo Ricardo, se explica pelo baixo custo de produção que a lavoura de café adensado apresenta, o que dá uma boa competividade entre os produtos agrícolas. ‘‘Mesmo que o preço do café pegue o menor preço dos últimos anos, seguindo recomendações técnicas, conseguindo alta produtividade e baixando seus custos de produção, o cafeicultor terá boa lucratividade’’, afirma o agrônomo.
Segundo Ricardo Paiva a viabilidade do café pode ser explicada na rentabilidade que a cultura tem proporcionado: o custo de produção por saca beneficiada dos produtores da associação tem ficado na faixa de R$50,00, enquanto que uma saca de café no mercado é vendida por R$155/160,00.
Serviço A associação tem uma página na internet, com servidor gratuito. O endereço é: http//www.geosites.com/hotsprings/oasis/2738. Há informações também através dos sites de procura na Internet como AltaVista e Cadê e para iniciar a procura é só digitar café adensado.Santa Cecília do Pavão, no Norte do PR, retomou a cafeicultura. O café adensado está mudando economia dos produtores
Milton dos Santos, que retomou o plantio de café na região, conseguiu pagar as dívidas da antiga lavoura e tem expectativa de lucratividade com o caféVinte e sete produtores fundaram a Associação dos Cafeicultores de Santa Cecília do Pavão. Objetivo é agregar maior valor à produção com venda em conjuntoRicardo Paiva, presidente da associação de produtores, acredita na alta produtividade a custos baixos para viabilizar agricultura da regiãoJocélia Mello, única mulher do grupo, garante que caprichou na adubação e tratos do café e deverá colher acima da média da regiãoÁrea de café de café dos produtores da associação soma 1 milhão e 500 mil pés, com produtividade média de 100 sacas beneficiadas por hectare

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