É claro que nem tudo são flores no sistema de plantio direto. Como a terra não é revolvida com o arado, surgem as ervas daninhas, que devem ser controladas com herbicidas. Atualmente, há produtos bem desenvolvidos para isso no mercado. Porém, nos primórdios do plantio direto no Brasil a coisa era diferente. Herbert Bartz conta que penou no início, chegando a fazer ''contrabando'' do Paraguai para poder produzir. Foi uma aventura da qual ele tem cada detalhe na memória.
''Minha fazenda era conhecida como a 'fazenda da braquiária', por causa do mato que crescia no meio da plantação. Eu respondia que prefiria perder 30% da produção para o mato do que perder 30% do meu solo no rio, mas era preciso arrumar uma solução.
Depois de experiências não muito boas com outros produtos, descobri que havia um herbicida de uma multinacional que estava sendo testado para o controle da aveia preta no trigo e que também se mostrava eficiente para a soja. Contudo, era um produto ainda não liberado para o Brasil. Então, pedi a essa multinacional europeia que enviasse 400 litros do herbicida para Assunção, no Paraguai, que eu ia até lá buscar de avião e trazia para o Brasil.
A empresa topou, mas confundiu os países e enviou o produto para Buenos Aires. Aluguei um avião monomotor e fui ao Paraguai, porém não encontrei o produto. Voltei de mãos vazias.
Depois, a empresa deu um jeito de enviar para Assunção, mas de uma maneira que a carga de impostos era impagável. Mais uma vez voltei sem o herbicida ao Brasil. Tive que ir ao Paraguai uma terceira vez, quando finalmente seria aplicada a carga correta de impostos. Finalmente deu certo. No entanto, surgiu outro problema: US$ 3 mil, dos US$ 9,8 mil que eu havia comprado em Londrina para pagar o produto eram falsos. Quase fui preso. Tive que usar muita saliva para explicar que eu também era vítima.
Outra dificuldade foi fazer o avião decolar. Era peso demais. Tivemos uma primeira tentativa de decolagem frustrada. A aeronave não queria sair do chão. Foi preciso aumentar a rotação do motor. Para finalizar, quando entramos no Brasil, o piloto foi informado pelo rádio que a Polícia Federal estava mandando os aviões que vinham do Paraguai descer porque estávamos perto do Natal e muitos estavam contrabandeando uísque. Daí, o piloto resolveu voar baixo, seguindo o curso dos rios para escapar do radar. Hoje, o herbicida que busquei no Paraguai é liberado para uso no Brasil. Foi uma grande aventura'', narra Bartz. (W.S.)

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