No início, muita garra e sofrimento
Para o fazendeiro Sérgio Kasutoshi Higashibara, Mauá da Serra tem fortes motivos para comemorar os 30 anos de plantio direto. Filho de pioneiros, ele conviveu e participou do esforço dos agricultores.
''Na década de 60 meus pais vieram de Álvares Machado (SP) para Mauá da Serra. Eu tinha 8 anos e acompanhava meu pai no plantio da batata inglesa. Era uma terra pobre mas a batata não precisava que o solo fosse fértil, pois com adubação pesada conseguia-se produtividade, mesmo em áreas cheias de sapés e samambaias, indicando tratar-se de solo ácido''.
Anos depois, com o fracasso da batatinha, a opção foi horticultura e cereais. O arroz ia bem depois da batata, mas veio o brusone, e o arroz deixou de ser uma boa opção. Surgiu a soja, que necessitava de áreas maiores e mecanizadas. Aí começaram os problemas de erosão. Em 1974, a família Uemura implantou o sistema de plantio direto. No começo, houve dificuldade. Não tínhamos os herbicidas pós-emergentes de hoje que são umas maravilhas.
E como será daqui para frente?
''É preciso seguir o exemplo dos pioneiros, 40 anos atrás, e acompanhar a tecnologia. Aqui tivemos que melhorar muito o solo e fazer investimentos para alcançar altos índices de produtividade'', afirma Sérgio. A rotação de cultura, independentemente do preço da soja, é um exemplo. Ao invés de manter apenas a soja no verão, optamos por alternância com o milho. Foi com tecnologia e atitudes do produtor perante a natureza que ganhamos produtividade, chegando ao nível que estamos hoje. Temos áreas produzindo 180 sacas de soja por alqueire. O milho, este ano, com uma condição climática excelente, promete produtividade acima de 400 sacas por alqueire e, no trigo, ano passado - também abençoado pelo clima - tivemos áreas com produtividade próxima das 200 sacas por alqueire.
Estrutura do solo - A tecnologia capitalizou os produtores. A maioria aumentou em 5 a 10 vezes a área de 40 anos atrás, que variava entre 20 e 30 alqueires. Para Sérgio Kasutoshi Higashibara, o sistema PD, hoje, é uma das armas principais para o Brasil aumentar a produtividade, conservando e melhorando a estrutura do solo. É preciso pensar no futuro.
Dentro das preocupações com a evolução da técnica, Sérgio relata a iniciativa do GDT (Grupo de Desenvolvimento de Tecnologias), coordenado pelo engenheiro agrônomo Toshio Watanabe. O grupo estabelece metas de produtividade e interage com o doutor Tsuyoshi Yamada, da Potafos (Associação Brasileira para Pesquisa de Potassa e do Fosfato). A Potafós através do Dr. Yamada é uma das portas de entradas de tecnologias, ao mesmo tempo em que reúne um grupo de produtores GDT que estudam e questionam a adoção de novas técnicas. (Veja mais na pág.6).





