No gosto de todo brasileiro
O feijão é um alimento básico para o brasileiro e o preto é o queridinho entre cariocas e gaúchos, sendo que, para o Rio de Janeiro se destina a maior parte das importações da Argentina. Em menor escala, o consumo também abrange os estados do Paraná, Santa Catarina e Espírito Santo. O feijão-cores (carioca), por sua vez, tem o consumo concentrado nos estados centrais, e em parte do Paraná e de Santa Catarina, enquanto o feijão-de-corda é de consumo típico da Região Nordeste.
O mercado alardeia que o consumo caiu nos últimos tempos, mas os especialistas não olham para os dados com temor. A Conab-PR aponta que os paranaenses consomem em média por ano 11 quilos per capita, contra a média nacional de 15 quilos. Nos anos 90, a média chegava a 19 quilos por habitante e já foi de 26 quilos nos anos 60. O maior motivo para esta diferença está nos hábitos alimentares, resultado da urbanização.
''Há 40 anos o trabalhador levava marmita e não tinha ticket refeição para consumir em buffets a quilo, com uma gama enorme de variedades. Em casa, havia a cultura da mulher dona-de-casa ser cozinheira e ter que fazer feijão, senão não era comida de verdade. Hoje, somos adeptos a refeições rápidas, do tipo delivery'', analisa Paulo, da Conab-PR.
Já o corretor de cereais Marcelo Luders defende que os dados sobre consumo são muito subjetivos. Uma parte esmagadora de brasileiros ainda almoça feijão com arroz, não importando a classe social, a diferença, segundo ele, está na mudança de canais de comercialização. ''O consumidor migrou parte das compras para os pequenos comércios devido as altas margens de lucros das grandes redes de supermercado e estes dados não são auditados pelos mecanismos de pesquisa'', analisa.
Luders lembra ainda o crescimento, nos ultimos 10 anos, do número de restaurantes de comidas caseiras nas praças de alimentação dos shoppings centers por onde passam centenas de pessoas por dia. ''Outro canal que cresce assustadoramente é o de cozinhas industriais que atendem empresas, além do recebimento de cestas básicas com alguns quilos do produto. A venda pode até ter diminuído, mas a família consome por outros meios'', declara.(C.P.)





