No futuro, um café mais exigente em tecnologia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de outubro de 2002
Érika Pelegrino<BR>Reportagem Local 
O Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café está incentivando pesquisas para adequar o café às condições que o produto irá encontrar daqui a 10/20 anos, como escassez da mão-de-obra, preocupação cada vez maior com o ambiente e atendimento a um perfil de consumo mais exigente.
Algumas destas pesquisas foram apresentadas para o Consórcio durante reunião de trabalho realizada na semana passada no Iapar. O gerente nacional do Consórcio, Antônio de Pádua Nassif, fez um breve relato sobre o histórico do Consórcio e seus objetivos. Na sequência foram apresentadas 24 projetos de pesquisas nas áreas de: genética, biotecnologia, pragas, manejo da lavoura, doenças e nematóides, fisiologia e climatologia.
Entre os principais resultados obtidos com as pesquisas estão a descoberta de dois materiais (cultivares) com bom comportamento em área com nematóide. Uma técnica que apresentou potencial de uso para região de arenito, consiste no plantio de seringueiras. Inclui ainda a descoberta de várias espécies de leguminosas e culturas de inverno para serem utilizadas no manejo do solo como forma de diminuir a população de nematóides.
Na parte nutricional do solo as pesquisas apontaram que a calagem fracionada (aplicação em diversas vezes, e não apenas uma vez como é o costume) possibilita um aumento de 30% da produção do café. Outra descoberta foi de que com o uso periódico de leucena (adubo verde) na lavoura é possível economizar em até 25% em uso de nitrogênio (uréia).
Para atender às necessidades de uma produção ecológica, com vistas na preservação ambiental, estão sendo desenvolvidas pesquisas, que apontam potencial do uso do NIM no controle biológico do bicho mineiro (praga de difícil controle), e de fungos (bovéria) para controle da broca.
As pesquisas buscam desenvolver tecnologias para superar as restrições que serão apresentadas à cafeicultura num cenário futuro.


