No Ceasa de Londrina só uva e pêssego do Paraná
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sábado, 01 de dezembro de 2018
Victor Lopes <br> Reportagem Local 

A reportagem da FOLHA deu um giro no Ceasa Londrina esta semana e traz uma constatação interessante: não há praticamente nada de frutas do Paraná sendo comercializadas no atacado e varejo da região. Os principais boxes do local trazem produtos de outros estados - principalmente Nordeste, Sudoeste e Sul - já que buscam constância na produção e, claro, produtos com mais doçura e qualidade. Para alguns itens, como por exemplo melão, melancia, mamão e maçã, há estados produtores específicos, inclusive com fornecedores fortes na exportação.
Marcelo Stelle, gerente do box Coisas da Roça, relata que recebe abacaxis de São Paulo, mamão formosa do Mato Grosso e uvas da Bahia. Agora, no final de ano, ele relata que começou a receber as uvas de Marialva, que segundo ele estão com ótima qualidade nesta safra. "O pêssego de Mauá da Serra começo a receber até o dia 10 de dezembro. Não são muitas variedades (do Paraná), até porque acho que a qualidade do solo não se adapta a outras culturas. Mas mesmo comprando de outros estados, temos que ficar espertos, porque tem muita fruta que é refugo de exportação, é o que sobra, e se não souber comprar, acabamos ficando com um produto fraco", explica ele, que comercializa em torno de 20 mil volumes de frutas (caixas de 10 a 20 quilos) mês.
Sérgio José da Silva, sócio proprietário do box Yokozawa e Silva, quebra a cabeça quando questionado pela reportagem quais frutas do Estado são de boa qualidade, as quais ele pode contar na sua comercialização diária de aproximadamente cinco mil volumes. "O Paraná é fraco (na produção) de frutas. Infelizmente, em termos de qualidade, também não é muito bom. Tem uma produção forte de laranja pêra em Paranavaí, mas não tem a qualidade da paulista. O limão paranaense também tem casca grossa e pouco caldo. Em Mauá, temos uma produção boa de frutas de caroço, mas no geral deixamos muito a desejar. Acredito que nossa terra é mais propícia para grãos e o produtor de frutas também não tem muita especialização."
No box Yokozawa e Silva, a variedade impressiona, mas todos produtos vindos de outros estados. Melão do Rio Grande do Norte e Bahia, mamão formosa e papaya da Bahia e Espírito Santo, manga da Bahia e São Paulo. "Acho que se plantarmos melão aqui no Paraná, por exemplo, teremos uma fruta feia e sem doce. Hoje trabalho aqui com fornecedores de qualidade, muitos enviam essas frutas para a Europa. Infelizmente, ainda ficamos com a segunda linha de produtos deles."
Rodrigo Kono, gerente do box Expressa Frutas, trabalha com o melão do Nordeste, melancia de Goiás e São Paulo, maçãs de Santa Catarina e Argentina, mamão formosa da Bahia e o pêssego do Rio Grande do Sul. Só de melancia, está recebendo agora no final do ano em torno de 60 toneladas por semana. "No Rio Grande do Norte, temos um fornecedor de melão que garante uma outra fruta caso a que ele entregar não esteja doce. Moramos num país tropical, com clima propício para a produção. Acho que o Paraná está bem atrás de outros estados, mas tem potencial para crescer." (V.L.)


