Satisfeitos com os resultados da primeira safra, no ano passado, os produtores dobraram a área plantada. Em 98, os primeiros sojicultores a plantar no arenito colheram cerca de 800 mil sacas, em 25 mil hectares. Este ano, as lavouras de soja ocuparam aproximadamente 50 mil hectares, nos 18 municípios da região. A colheita está quase terminando.
A maioria dos agricultores que se aventuraram a plantar no arenito estão satisfeitos com a produtividade obtida. A produtividade média nesta segunda safra, segundo cálculo da Secretaria Municipal de Agricultura, deve girar em torno de 47 sacas por hectare (110 sacas/por alqueire). Na primeira safra, a média ficou em 30 sacas por hectare. ‘‘Era o primeiro plantio’’, justifica o secretário da Agricultura de Umuarama, Edson Bastos. ‘‘Além disso tivemos pouca chuva na época do plantio e excesso durante a colheita’’, completa.
Secretário municipal da Agricultura, Edson BastosProdutividadeAlguns produtores reclamam da baixa produtividade. Juveniano Gomes Pedrosa, 55 anos, de Brasilândia do Sul, plantou 99 alqueires em Icaraíma, e deve colher cerca de 70 sacas por alqueire. ‘‘É pouco’’, diz ele, que terá de pagar 10 sacas por alqueire pelo arrendamento da terra. Na primeira safra, Pedrosa colheu apenas 30 sacas por alqueire. Segundo Edson Bastos, os produtores que não obtiveram bons resultados não fizeram o manejo adequado. ‘‘Em alguns casos, por exemplo, faltou capital para aplicação da quantidade necessária de defensivos’’. De acordo com o secretário da Agricultura, quem conduziu a lavoura corretamente não tem do que reclamar.
É o caso do sojicultor Claudir Calabrete, de Toledo, que plantou pela primeira vez 45 alqueires de soja em duas áreas - uma arrendada e outra própria - na Estrada Canelinha, em Umuarama, e está conseguindo uma produtividade de 120 sacas por alqueire. Calabrete prevê que vai colher 5,4 mil sacas e faturar aproximadamente R$90 mil. ‘‘É um rendimento excepcional para o primeiro ano de plantio. Nós cultivamos soja há oito anos em Toledo (região de terra roxa, no Oeste do Estado) e lá conseguimos de 130 a 140 sacas por alqueire, usando mais calcário e mais adubo que aqui.’’
Solo alternativoA maioria dos sojicultores do arenito são agricultores do Oeste do Estado que arrendaram terras no Noroeste. Os produtores queriam expandir suas lavouras, mas não encontravam terras disponíveis. Em contrapartida, no Noroeste existem grandes propriedades ocupadas por pastagens degradadas.
Produtor Cláudio Calabrete: rendimento excepcional para primeiro ano de plantioEm 96, a Prefeitura de Umuarama criou um programa de arrendamento batizado de ‘‘Pater’’ e passou a oferecer terras para quem quisesse plantar soja. Pecuarista, o prefeito de Umuarama, Fernando Scanavaca, apostava no sucesso da cultura do grão, como forma de gerar mais renda e recuperar o solo, devastado pela exploração exaustiva da pecuária. A região de Umuarama é dona do maior rebanho bovino do Paraná, com cerca de 1,4 milhão cabeças. A pecuária ocupa mais de 70% das terras aproveitáveis e se estima que mais de 80% das pastagens apresentam baixa produtividade.
Não havia pesquisas sobre o cultivo de soja no solo arenoso e os órgãos técnicos não recomendavam a cultura para a região, por causa do problema de erosão. Mesmo assim, dezenas de agricultores apostaram no ‘‘Pater’’ e arrendaram 20 mil hectares já no primeiro ano. ‘‘Os resultados das primeiras safras comprovam que tínhamos razão - comemora o Prefeito -, a soja vai mudar o perfil econômico e recuperar os solos da região.’’ Na próxima safra, espera-se aumentar a área plantada para 70 mil hectares. Segundo o secretário Edson Bastos, existem interessados em arrendar pelo menos mais 15 mil hectares. ‘‘Estamos negociando com fazendeiros da região, para cederem terras’’, conclui. A região de Paranavaí também criou um programa de arrendamento semelhante ao ‘‘Pater’’ e vai começar a incentivar o plantio de soja.Pedro Tadeu de OliveiraColhendo a soja no arenito: modo de aproveitar a terra enquanto o lavrador recupera o pastoVânia Moreira

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