Ninguém tá pedindo arroz e feijão
A dona-de-casa Tânia Elisângela da Silva conta, com seu bebê no colo, a dificuldade que teve em encontrar a assistente social do projeto enquanto estava grávida. Minha gravidez foi de risco e não pude trabalhar. Precisava retirar uma cesta básica para a alimentação da família, mas nunca consegui encontrar a assistente social, relembra. Segundo Dirce Costa, a vila não recebe a visita de um funcionário da Emater desde março.
Mesmo com poucos recursos, os moradores cultivam os 5 mil metros quadrados de terra com arroz, feijão, mandioca e milho para subsistência. Alguns ainda criam galinhas e porcos para complementar a alimentação da família. No entanto, a deriva dos agrotóxicos utilizados nas plantações das duas fazendas vizinhas tem comprometido, e muito, o bom andamento das lavouras da Vila Rural.
Eu ia colher até seis sacos de feijão, mas o vizinho passou veneno e atrapalhou tudo. E nós não temos forças para lutar contra os fazendeiros, reclama Leonildo Lourenço Santos. Aposentado por invalidez, ele depende da produção para alimentar a família.
Ninguém tá pedindo arroz e feijão. A gente quer é assistência, avisa Sandra Lima. Ela explica que muitas famílias acabam desistindo de trabalhar a terra e procuram emprego como bóias-frias para sustentar a casa. (M.G)





