Representantes de cinco entidades ruralistas com atuação em mais de dez Estados, reunidos no feriado do dia 7, em Presidente Prudente (SP), elegeram o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o principal inimigo do setor. No manifesto ‘‘O campo exige Ordem para o Progresso’’, lançado pela União Democrática Ruralista (UDR), o governo é acusado de financiar as invasões de terras produtivas, liberando verbas para ‘‘falsas cooperativas’’ do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). ‘‘É difícil ter um governo que não respeita a propriedade, se diz amigo dos criminosos do MST e considera o produtor rural como escravocrata’’, afirmou o presidente da UDR, Luiz Antonio Nabhan Garcia.
  Discursando para cerca de mil fazendeiros, Nabhan disse que nunca o direito de propriedade foi tão desrespeitado. ‘‘O que esperar de um presidente que quer saber de um ditador como ficar 37 anos no poder e propõe a criação de um clube de amigos de Fidel Castro?’’
  O manifesto coincidiu com o 10º. Grito dos Excluídos, realizado pela Igreja Católica e por movimentos sociais em todo o País. Segundo Nabhan, o evento foi programado no Dia da Independência porque, apesar de estar ‘‘carregando a economia nas costas’’, o produtor rural é discriminado pelo governo. ‘‘Enquanto os sem-terra recebem dinheiro a rodo, nada foi investido em logística para escoar a produção. Produzir como estamos produzindo nesse País é heroísmo.’’
  O presidente da União Nacionalista Democrática (UND), Antonio Ribas Paiva Junqueira, de Mato Grosso, acusou o ‘‘governo de plantão’’ de financiar a guerrilha contra os que produzem. ‘‘Nós não temos a segurança do direito, enquanto os criminosos do MST se organizam às custas do Estado.’’ Célio Vilela de Andrade, do Sindicato Rural de Dourados (MS), disse que o fazendeiro passou a ser criminalizado. ‘‘Somos tratados como grileiros pela área lá de cima.’’ O presidente da Associação dos Produtores Rurais de Mato Grosso, Ricardo Castro Cunha, lamentou a falta de reconhecimento ao produtor. ‘‘O agronegócio é o segmento mais importante da nossa economia.’’
  Marcos Prochet, da UDR paranaense, denunciou a complacência do governador Roberto Requião (PMDB) com a ação dos sem-terra. ‘‘Quando é dada a reintegração de posse, eles conseguem um prazo para sair e, nesse tempo, saqueiam as fazendas.’’ No Rancho do Quarto de Milha, local do encontro, foram leiloados 700 bois doados à UDR.
  Nabhan disse que, durante a noite que antecedeu o leilão, a fazenda Concórdia, onde estavam os bois, foi atacada pelos sem-terra. ‘‘Eles pretendiam invadir, mas como tinha muita gente nossa lá, botaram foto no pasto e foram embora.’’ Dezenas de pecuaristas se mobilizaram para conter as chamas, segundo ele. O valor arrecadado com os bois só vai ser contabilizado amanhã(08).
  Segundo Garcia, o dinheiro será usado para reforçar o quadro de advogados da UDR, a fim de fazer frente à onda de invasões e às medidas contra os produtores, geradas em Brasília. ‘‘Se não tivermos uma linha de defesa, vamos ser esmagados e triturados por esse governo.’’ Ele disse que a entidade presta contas a seus associados.(Agência Estado).

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