O novo presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Edson Neme, no cargo desde três de junho, pretende dar continuidade ao trabalho que diretoria anterior, da qual fez parte como vice, vinha realizando desde 1998.
''Nesse período, conseguimos valorizar mais o trabalho do produtor e ampliar a abertura da entidade para a inclusão de novos sócios. Em 1998 eram cerca de 800; hoje são 1.200'', ressaltou.
Em pleno ano eleitoral, Neme disse estar preocupado com o Brasil, ''de forma geral'', e com as especulações. ''Não me preocupo com partidos, mas está havendo muita evasão de divisas e isso é extremamente prejudicial para o país. Reflete, de forma especulativa, a insegurança e incerteza do mercado internacional'', disse.
Questinado sobre a possibilidade de um governo petista assumir o poder, Neme afirmou que não acredita que este terá a mesma capacidade de articulação internacional que o governo atual, embora valorize a organização de base do partido. Mas destacou que acredita que seria mantida ''boa comunicação'' com entidades classistas, como a Rural. ''Veja, como exemplo, o relacionamento que temos com o nosso governo municipal'', citou.
Embora não tendo realizado as reformas fiscais e tributárias, algumas das principais reivindicações do setor produtivo, em oito anos do governo atual, Neme se diz admirador de FHC: ''Ele é considerado um grande estadista e conseguiu colocar o Brasil em posição de destaque. Em que governo já tivemos o presidente dos Estados Unidos consultando o nosso sobre alguma decisão política?'', questionou.
Sobre a vocação agrícola do Brasil, Neme observou que o país vem conquistando altos índices de produtividade sem necessariamente ampliar as áreas, diferente dos perfis norte-americano e europeu, que estão com suas áreas produtoras saturadas. ''Isso é uma grande vantagem para nós e acredito que o alimento vai ser a grande moeda de troca no futuro, juntamente com as riquezas ambientais, daí a importância de investirmos na preservação da natureza e na produção agrícola. Até porque muitos países impõem barreiras de importação alegando que não preservamos a natureza.''
A definição de uma política agrícola eficiente também foi apontada por Neme como fundamental para o equilíbrio da atividade agrícola. Assim como o estabelecimento de um sistema que assegure o preço mínimo dos produtos agrícolas. ''É necessário mais intervenção. Atualmente, está havendo grande migração de produtores de milho para soja e isso vai gerar problemas no futuro. O ideal seria que o governo tivesse intervido e estimulado a produção de milho'', ponderou.
Quanto à produção de grãos na safra 2001/2002, Neme não acredita que supere os 100 milhões de t da safra anterior, ''devido à seca, que também deverá ocasionar falta de sementes no ano que vem'', explicou. Mas, para a próxima safra, a meta de produção deverá superar os 108 milhões. ''Essa era a meta do governo atual, mas deve acontecer apenas no próximo'', disse.

Perfil de administrador
Nascido no interior de São Paulo, o engenheiro civil Edson Neme, 50 anos, transferiu-se para Londrina em 1960. Sua família, de origem árabe e espanhola, dedicava-se à produção rural, com destaque para a produção de trigo e soja. Em 1974, graduou-se na Escola de Engenharia de Lins (SP), onde também lecionou por 12 anos. Paralelamente administrava as propriedades da família. Em 1989, volta para Londrina, continua trabalhando como engenheiro e administrador financeiro de empresas privadas. A partir de 1992, passa a dedicar-se à administração e consultoria na área financeira. Em 1998, assume a vice-presidência da Rural pela primeira vez. Após dois mandatos é eleito presidente.

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