Importada da Austrália pela Embrapa Florestas, o nematoide Beddingia siricidicula, controlador biológico da vespa-da-madeira, está dando certo no Brasil. Segundo a pesquisadora Susete Chiarello da Embrapa, agora reproduzidos em laboratório, os nematoides são inseridos nas árvores por meio de uma solução aquosa. A função é esterilizar as fêmeas, reduzindo a população da praga.
Em cada embalagem de 20 ml de solução existem um milhão de nematoides. Susete explica que a dose deve ser inserida em um composto de gelatina antes de ser colocada na tora.
O motivo, segundo ela, é porque os nematoides precisam de hidratação. A recomendação é aplicar a solução, no mínimo, em 20% da área afetada para garantir uma resposta satisfatória no combate à vespa. Segundo a pesquisadora, as árvores a serem inoculadas precisam estar infestadas com o inseto. O procedimento é simples: tudo começa com a derrubada da árvore que contém a população de vespa, em seu tronco são realizadas pequenas perfurações com uma picareta a um espaçamento de 30 centímetros entre um buraco e outro. Dentro da perfuração o produtor irá inserir o inócuo (gelatina e nematoide), transferido para o troco por meio de um saco plástico. Cada dose serve em torno de dez árvores.
Susete alerta que o transporte dos nematoides até o campo deve ser feito em uma caixa com gelo, já que eles são sensíveis às oscilações térmicas. Algumas horas depois da aplicação, os nematoides penetram na madeira e começam a se alimentar dos fungos deixados pela vespa. No segundo ciclo de vida dos nematoides, eles penetrarão nas larvas e irão esterilizar as fêmeas.
A pesquisadora da Embrapa completa que a partir daí, a própria vespa inoculada ajuda no controle que chega a ter uma eficiência de 70%. Ela explica que os ovos depositados pelas fêmeas não eclodem, reduzindo drasticamente a população do inseto. "Com isso, podemos salvar a floresta no Brasil", comemora a pesquisadora. (R.M.)

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