As flores aparecem como destaque no Paraná, não só pela beleza, mas como referência de mercado. O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura, ainda não tem os dados atualizados, mas levantamento de 97 a 2005 indica que a produção de flores cresceu 237% no Estado. Embora tenha a menor participação do VBP (Valor Bruto da Produção) estadual (0,11%), com um valor de R$ 33,52 milhões, o grupo da floricultura apresentou o maior crescimento em valores reais.
  O maior crescimento foi registrado entre os municípios da Região Metropolitana de Curitiba. A arrecadação em 2004 chegou a R$ 10,41 milhões, o que representa 31% do VBP estadual. Mas nem tudo são flores. Em algumas regiões, como Sertaneja e Uraí, os produtores amargam prejuízos e estão desanimados com as lavouras, inclusive desativando estufas. (Veja Box)
  Na região de abrangência da Associação dos Produtores de Flores do Norte e Noroeste do Paraná (Aflonorp), cerca de 60 produtores cultivam várias espécies num total de 200 hectares. A produção chega a 500 mil vasos de flores por ano, vendidos, em média, a R$ 2,50 cada.
  A presidente da Associação, Rosângela Takemura, afirma que toda a produção é absorvida aqui mesmo na região. O consumo é grande quando chegam as datas comemorativas, como Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia dos Pais e Finados. ‘‘Nestes períodos, as vendas dobram ou até tripli-cam’’, afirma Rosângela, com experiência que tem também como produtora, junto da família, numa das maiores áreas de cultivo de flores em Londrina.
  E o trabalho na chácara Takemura começa cedo. Há mais de 40 anos, a família mantém uma área na Zona Oeste da cidade, e vive uma rotina difícil, mas não menos prazerosa, já que a produção de flores, também embeleza o lugar. Crisântemos, orquídeas, gérberas e antúrios são a fonte de renda da família.
  Na área de cinco alqueires, dois deles são mantidos só com a produção de flores. Nas estufas, as orquídeas começaram a ser produzidas há apenas cinco anos e já somam 50 mil pés. Além das orquídeas, hoa o cultivo de dez mil pés de antúrios, cinco mil pés de gérberas, e os crisântemos, carro-chefe da propriedade, com mais de 50 mil pés cultivados em vasos, entre eles o mini-crisântemo.
  Neste período que antecede o Dia de Finados, o trabalho na chácara, praticamente triplica, por causa da produção de crisântemos que chega a atingir até 70 mil vasos. A família passa a contar com a ajuda de seis funcionários, que se dividem entre as estufas nos tratos com a planta.
  Nem por isso o trabalho é menor para dona Natalina, matriarca da família Takemura, que tem uma rotina diária de cuidados com as flores. ‘‘Tem que olhar todos os dias. As pragas atacam e a gente tem que estar atento com a colocação de adubo e veneno’’, comenta a produtora, enquanto retira as folhas mais velhas dos vasos.
  Para combater a vaquinha e o ácaro (pragas mais freqüentes), é feita a fertiirrigação (irrigação das plantas com fertilizantes). No inverno ela é feita apenas depois do meio dia, por causa das baixas temperaturas. No verão, são feitas até três irrigações para manter as flores frescas.
  Os vasos foram plantados no final do mês de julho e até novembro estarão prontos para serem comercializados. Este ano, a família está mantendo os vasos em três mil metros de estufas, com um total de 20 mil vasos. ‘‘Temos que fazer um controle rigoroso das plantas para que elas floresçam na época certa’’, afirma a produtora.

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