Nem bem começou a colheita do trigo no Paraná e os prejuízos já estão sendo contabilizados. Só nos 19 municípios que compõem o núcleo regional da Secretaria Estadual de Agricultura e de Abastecimento (Seab) de Londrina, estima-se, até o momento, uma perda de 21% da safra. Isso, de acordo com Rosangela Zataroli, engenheira agrônoma do núcleo, se deve às más condições do clima que atingiram a região nesse inverno. A perda até o final da colheita, segundo ela, poderá ser ainda maior.
Rosangela revela que a safra começou com reduções. Inicialmente, conta ela, foi na área plantada. Na safra 2009/10, por exemplo, foram plantados 99,8 mil hectares de trigo na região. Neste ciclo, foram disponibilizados somente 70,88 mil hectares.
Com o andamento da safra, Rosangela conta que as primeiras estimativas de produção apontavam um volume de 208.900 toneladas. Com a decorrência da geada e de outros fatores climáticos, como a estiagem, por exemplo, o volume estimado a ser produzido passou para 166 mil toneladas.
Em termos de produtividade, Rosangela afirma que, para este ano, era esperada uma produtividade de 2,9 mil quilos por hectare. Hoje, com a geada, esse número não deve passar de 2,4 mil quilos por hectare. Na safra passada, segundo ela, a produtividade do trigo na região de Londrina foi de 2,72 quilos para cada hectare.
Em todo o Paraná, de acordo com o economista do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, Marcelo Garrido, a produtividade já registra uma queda de 15% em relação ao ciclo passado. Neste ano, de acordo com o economista, o Paraná deve produzir 2,51 mil quilos por hectare. ''Na safra passada, esse número era de 3 mil quilos'', compara Garrido.
A produção, segundo o especialista, já registra uma quebra no Estado de 13,7%. ''A estimativa inicial era de produzirmos 2,88 milhões de toneladas''. Mas o volume, segundo ele, foi reduzido para 2,48 milhões de toneladas nesta temporada. Se comparado ao ciclo anterior, também há registro de queda. No ano passado, a produção paranaense foi de 3,45 milhões de toneladas.
Garrido pondera que essa diminuição não é só de responsabilidade da geada. Segundo ele, houve também um decréscimo na área plantada do Estado. Em comparação ao ano passado, o Paraná diminuiu 13% a sua área de trigo. ''Atualmente são 1.023 milhão de hectares, contra 1.171 milhão da safra anterior'', apresenta. Porém, Garrido revela que os prejuízos podem ser minimizados. Isso, segundo ele, com a melhora nos preços da saca do produto.
Há um ano, aponta o economista, o preço da saca era de R$ 24,78. Hoje, esse valor é de R$ 25,69, preços baseados no último levantamento realizado pela Seab. Pedro Loyola, economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), revela que a quebra da produção não é o único problema do setor. ''A comercialização desse trigo deverá ser uma das dificuldades neste segundo semestre''. Isso, na opinião dele, pela falta de liquidez do setor.
Qualidade
Loyola afirma que a entrada do Uruguai e do Paraguai na produção de trigo de boa qualidade, voltado para panificação, além da Argentina, já traz transtornos para os produtores paranaenses e gaúchos. ''O Paraná tem que ser mais competitivo'' enfatiza. Segundo ele, já se estuda a implantação de uma nova classificação de qualidade para a produção de trigo no Brasil. Essa ação, conta ele, incentivará a produção do grão.
Segundo Loyola, muitos produtores produzem variedades que têm altos índices de produtividade. Entretanto, acrescenta o pesquisador, eles desconhecem o que a indústria necessita. Para resolver esse problema, já está em estudo a regionalização de produção. Ou seja, cada variedade se localizaria em uma determinada região do Estado, seguindo as condições de clima e solo de cada localidade. Isso, afirma Loyola, permitirá que o produtor tenha, mesmo que pouco, para quem vender.

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