Nem tudo está perdido
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sexta-feira, 09 de março de 2012
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem Local 
A estiagem que atingiu não só a região Sul do Brasil, mas toda a América do Sul, já trouxe grandes prejuízos para a safra de grãos deste ano. Até o momento, as perdas totalizam 24% da produção só no Paraná. Porém, nem tudo está perdido para o setor. Grandes importadores de grãos, como países da Europa e a China, intensificaram a aquisição de soja e milho temendo um possível desabastecimento. A medida, segundo consultores de mercado, tem influenciado os preços das commodities, que acenam com siginificativas altas. A saca da soja, por exemplo, tem batido na casa dos R$ 50.
No Estado, a retomada de preços já motiva muitos produtores a intensificarem a colheita e a comercialização. Até o momento, de acordo com Marcelo Garrido, engenheiro agrônomo da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), 40% da safra paranaense de soja já foi colhida e comercializada. No caso do milho, 39% da safra foi colhida e 24% vendida. ''O momento é favorável para a comercialização e o produtor está aproveitando para acelerar a colheita e diminuir os prejuízos'', explica.
Robson Mafioletti, assessor técnico e econômico do sistema Ocepar, pontua que as regiões que sofreram menos com a estiagem, deverão ter uma boa rentabilidade neste ciclo. ''A queda na safra na América do Sul trouxe um certo nervosismo no mercado mundial, mas também vantagens''. Mafioletti explica que o Paraná será muito beneficiado com a elevação dos preços dos grãos. O técnico sublinha que o preço da soja na bolsa de Chicago, por exemplo, já registrou picos de US$ 13,30 o buschel nas últimas semanas. Segundo ele, a média de preços até o ano passado não passava dos US$ 12,40/buschel. Como o Paraná exporta 60% da produção de grãos, Mafioletti acredita que os prejuízos com as perdas na safra serão amenizados.
A analista de mercado de grãos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Débora Pereira da Silva, aponta que o preço da saca de soja comercializada no Paraná no início de março foi de R$ 49. Se comparado ao preço registrado no começo de março de 2011, a analista calcula uma alta de 4,6% no valor da saca. Débora destaca que a tendência de preços das commodities é continuar em elevação até o final da colheita.
Rafael Ribeiro de Lima, zootecnista e consultor da Scot Consultoria, afirma que se os preços continuarem nos patamares atuais, facilmente o agricultor irá cobrir os custos de produção. Lima acrescenta que os produtores que tiveram altos índices de perda ainda podem ter rentabilidade. Além disso, Lima acrescenta que os agricultores que fizeram reserva financeira da última safra, podem ficar ainda mais tranquilos e esperar até um bom lucro.
Comercialização
Lima orienta os produtores que estão intensificando a colheita, que comercialize de forma moderada. ''O agricultor deve vender uma parte agora e segurar parte da produção para ver se o preço da commodity aumenta ainda mais''. Entretanto, frisa o consultor, o produtor não deve demorar muito, já que a estimativa em médio prazo é de depreciação das commodities agrícolas.


