Neloristas querem participar do sistema de rastreamento
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sexta-feira, 09 de agosto de 2002
Cláudia Barberato<BR>Equipe da Folha 
Ribeirão Preto (SP) - Criadores, técnicos e pesquisadores, reunidos esta semana, em Ribeirão Preto, no 6º Simpósio da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), decidiram pedir ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) a criação de um Comitê Consultivo de Apoio ao Sisbov (Sistema Brasileiro de Rastreabilidade Bovina). E defenderam que pesquisadores, extensionistas e criadores estejam representados no comitê, através das suas associações de classe.
Segundo o presidente da ACNB, Carlos Viacava, essa participação é essencial para o setor produtivo, em virtude da desinformação existente entre os criadores sobre o Sisbov, considerando a importância do Sistema para o comércio exterior da carne brasileira. A função desse comitê, de acordo com o diretor de marketing da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), Nelson Pineda, seria a de assessorar a Secretaria de Defesa Animal do MAPA, ''sobre a viabilidade e análise de pontos críticos do projeto de implantação do Sisbov.''
Os criadores reivindicam também que a adesão ao Sisbov seja espontânea e não compulsória por parte dos pecuaristas, permitindo a criação de sistemas de remuneração diferenciados.
Outro pedido dos pecuaristas é a permanência da vacinação obrigatória contra febre aftosa, sem interrupção em todo o Brasil, enquanto todo o território nacional e o de países que fazem fronteira não forem considerados ''internacionalmente'' como livres da doença.
O temor é que casos da doença que possam acontecer não só no país, mas nos países vizinhos, possam ''atrapalhar'' a imagem da carne brasileira no exterior. O secretário de produção e comercialização do Ministério, Pedro de Camargo Neto, um dos participantes do Simpósio Nelore, garantiu que no caso da carne, a abertura de novos mercados para o Brasil ou do fechamento bons acordos comerciais, dependem hoje ''fundamentalmente do controle da febre aftosa.''
Segundo o representente do Ministério da Agricultura ''a falta de integração entre os Estados produtores de carne coloca hoje metade do território brasileiro sob risco desconhecido a respeito da doença, provocando uma insegurança dos prováveis compradores da nossa carne.''
Camargo lembrou que o aparecimento da doença na Argentina e Uruguai, recentemente, fizeram com que o Brasil ocupasse no exterior o mercado de carne desses dois países e é preciso preservar este espaço. ''O controle da doença está na mão dos próprios pecuaristas,'' advertiu.
Ainda existem regiões do País onde o risco é eminente; risco provocado por aquele pecuarista que compra a vacina só para ter a nota fiscal, exigida pelo Governo para obter a guia de trânsito de animais, e deixa o produto na caixa, sem imunizar e garantir a saúde de seu próprio rebanho.
A jornalista viajou a Ribeirão Preto (SP) a convite da Associação Brasileira de Criadores de Nelore do Brasil.


