O primeiro registro de entrada do nelore no Brasil aconteceu em 1868, com a chegada de um casal de animais em Salvador (BA). A raça expandiu-se lentamente, primeiro no Rio de Janeiro e na Bahia, depois em Minas Gerais e por último em São Paulo. O total de zebuínos importados até o ano de 1970 foi de 6.262 animais. Neste período, a importação de taurinos foi estimada em 800 mil cabeças. Atualmente, o rebanho bovino brasileiro possui 195,5 milhões de cabeças. Destas, mais de 90 milhões são nelore. ‘‘O nelore é o alicerce da cadeia produtiva da pecuária nacional, responsável por 80% das exportações brasileiras’’, afirma o pecuarista londrinense Alexandre Kireff.
  Utilizado inicialmente para exploração leiteira na Índia, o nelore foi melhorado geneticamente no Brasil, onde está voltado para a produção de carne. A raça é a que mais se adaptou às condições tropicais brasileiras, pela resistência natural ao calor e aos parasitas e pela capacidade de aproveitar alimentos grosseiros.
  Segundo Kireff, a carcaça nelore é a mais próxima dos padrões exigidos pelo mercado. ‘‘É a carne que representa o Brasil lá fora’’, diz. Porte médio, ossatura fina, leve, porosa e menor proporção de cabeça, patas e vísceras conferem excelentes rendimentos nos processos industriais. ‘‘É exclusividade do nelore a viabilidade econômica e a quantidade de oferta. Só agora a raça começa a trabalhar também a qualidade da carne’’, diz o pecuarista. Ele explica que está sendo feita a identificação dos touros para a produção de carne com marmoreio e maciez.
  A carne degustada pelos convidados da Folha era de um animal de 2,5 anos, criado totalmente a pasto, ‘‘fruto do programa Nelore Natural, que seleciona animais precoces e de carne diferenciada que são destinados principalmente ao mercado internacional’’, finaliza Alexandre Kireff.

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