No total, o Paraná possui 118 mil produtores de leite, segundo a Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (Seab). O casal de produtores, Leonice Dias e Lázaro Bueno Rodrigues - conhecido como Lazinho - representa a maior parte dos produtoras de leite do Estado: pequenas propriedades familiares. Em sua propriedade de 5,81 hectares localizada no município de Abatiá, o casal produz leite, alfalfa e café. Cada cultura corresponde a cerca de 30% do rendimento da família.
''Agora estou com seis vacas produzindo. Conseguimos um volume de 70 litros de leite por dia'', relata Lazinho. Há quase cinco anos, a propriedade é atendida pela assistência técnica do Projeto Redes de Referência, um trabalho desenvolvido em parceria entre o Instituto Emater e o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Segundo o engenheiro agrônomo da Emater, Ciro Marcolini, as vacas produzem por oito meses consecutivos durante o ano e a produção pode chegar a 120 litros por dia, dependendo da época.
Ciro informa que a média regional de produção é de 800 litros de leite por hectare, mas a propriedade de Lazinho e Leonice produz, em média, 6 mil litros por hectare. O agrônomo explica que esse bom resultado deve-se ao uso de pastagens de qualidade, adubação e rotação de pastagens, além do emprego do sistema silvipastoril, com plantio de eucaliptos. O agricultor alimenta o gado com ração e com a produção própria de alfalfa. Lazinho ordenha as vacas duas vezes por dia e cerca de quatro litros são consumidos pelos bezerros diariamente.
Para adquirir formação técnica, o casal realizou vários cursos ofertados pela Emater e pelo Senar. Ao adquirir a propriedade e iniciar a produção, o casal precisou de um financiamento do Banco da Terra, um programa federal que posteriormente foi substituído pelo Crédito Fundiário. ''Com a verba eu plantei café e comprei as primeras vacas'', lembra Lazinho. O Banco da Terra loteou uma fazenda em 56 lotes, sendo que um deles pertence a Lazinho e Leonice. Atualmente oito dos agricultores que integram o grupo de financiados pelo Banco da Terra depositam o leite produzido em dois refriadores instalados na comunidade.
Lazinho e Leonice vendem o leite para um laticínio da Confepar, que busca o produto no resfriador comunitário a cada dois dias. Além disso, o casal também vende uma pequena parcela do leite direto para a comunidade onde mora e produz queijos e doces de leite para vender na feira. ''Por semana, faço mais ou menos oito queijos, usando 25 litros de leite. A maioria é por encomenda'', conta Leonice.(M.F.)

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