Paulo WolfgangDesafioRui Casão diz que o País precisa de um programa nacional de mecanização agrícolaA agricultura brasileira precisa de equipamentos agrícolas mais eficientes e duráveis, máquinas menores e mais baratas, com utilização de pneus de baixa pressão e desenvolvimento de sistemas eficientes de rompimento do solo. Esta foi uma das conclusões do 1º Seminário Temático em Mecanização Agrícola no Brasil que foi realizado em Sete Lagoas, Minas Gerais nos dias 13, 14 e 15 de maio.
Durante estes três dias estiveram reunidos representantes das indústrias, institutos de pesquisa, universidades, órgãos do Governo, órgãos de classes, representantes do setor produtivo e produtores. O representante do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Rui Casão, participou, auxiliando na coordenação do evento.
Dois temas, considerados prioritários para o desenvolvimento da mecanização agrícola brasileira foram destacados: a mecanização conservacionista, com ênfase ao plantio direto, e a agricultura de precisão.
CriseNa análise do pesquisador Rui Casão, a crise na agricultura, e consequentemente no mercado de máquinas agrícolas, foi agravada pela economia internacional (que vive de subsídios) e pela falta de recursos do produtor. ‘‘No Brasil, quem consegue comprar máquinas ainda são os grandes produtores e com dificuldades, alguns médios produtores’’, diz Casão.
Na maioria das propriedades os equipamentos estão sucateados e no ano de 96 o volume de vendas não chegou a atingir o nível de reposição. ‘‘Os preços não são acessíveis ao médios e pequenos, e falta para o país um programa nacional para desenvolvimento da mecanização agrícola’’, alerta Casão.
Há necessidade de estudos e desenvolvimento de máquinas apropriadas às realidades parananese e brasileira. ‘‘Tanto o Brasil quanto o Estado têm necessidades regionalizadas e os equipamentos devem ser desenvolvidos e validados para estas condições’’.
O pesquisador acredita que nos últimos 30 anos criou-se uma cultura para produção e venda de máquinas apenas para grandes áreas. Ao longo deste tempo o perfil das propriedades mudou, e o fato é que as indústrias estão com dificuldade em encontrar formas de atingir um público, que até agora foi pouco atendido por elas, os médios e pequenos produtores. ‘‘Acredito que encontrar uma saída não seja tarefa para cada indústria isoladamente. Elas deveriam se unir para atender as necessidades regionalizadas’’, diz Casão.
Segundo o pesquisador, o Iapar trabalhou intensamente na década de 80, no desenvolvimento de equipamentos e tecnologias que hoje podem alavancar a pequena produção. Exemplo é a semeadora de plantio direto gralha azul, além de um conjunto de práticas para o desenvolvimento da mecanização conservacionista, servindo de base tecnológica para aplicação dos programas de manejo, conservação de solo e desenvolvimento rural. Outro produto da área de engenharia agrícola do Iapar que está para ser lançado é um escarificador, para tratores com potência abaixo de 70 ‘‘cavalos’’, apropriado para médias e pequenas áreas.
Manejo conservacionistaAs principais linhas de pesquisa em plantio direto estão concentradas hoje no manejo mecanizado de cobertura morta, novos conceitos de semeadora-adubadora de fluxo contínuo e aplicação de insumos.
O documento com os resultados do seminário fala que as novas linhas de pesquisa que precisam ser priorizadas estão centradas em aspectos do controle de qualidade das operações agrícolas mecanizadas. Uma delas é a agricultura de precisão que engloba o uso de tecnologias atuais para o manejo de solo, insumos e culturas de modo adequado. Também chamada ‘‘agricultura localizada’’, esta nova filosofia usa três tecnologias: sensoriamento remoto, sistema de informações geográficas (GIS) e o sistema de posicionamento global (GPS).
Esta tecnologia já vem sendo utilizada nos países desenvolvidos, onde os produtores dispõem de serviços que envolvem aquisição de dados via satélite e análise detalhada de campos de produção. Equipamentos e sistemas (sensores, atuadores e controladores) de monitoramento e coleta de dados estão em fase acelerada de desenvolvimento.
DesafioAinda de acordo com documento do seminário, o grande desafio para o futuro é a união dos conceitos da agricultura de precisão com aqueles da agricultura conservacionista.
As dimensões continentais do Brasil e as diferenças de uma região para outra dificultam o desenvolvimento de manejo conservacionista. A área total do Brasil corresponde à área de mais de 32 países europeus, totalizando 850 milhões de hectares (ha), com 550 milhões de ha potencialmente agricultáveis. A área agrícola atual do País, excetuando-se pastagens, é de 60 milhões de ha. Apenas oito culturas ocupam 44,25 milhões de ha ou seja 74% da área. A área de produção de grãos ocupa cerca de 35/36 milhões de ha, dos quais cerca de 16/18 milhões de ha estão em manejo conservacionista.
‘‘As dificuldades precisam ser vencidas com a união e esforços de todos os setores’’, finaliza Rui Casão.

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