Em 1994 o interesse em colocar, à disposição do pecuarista brasileiro, touros capazes de produzir bem e reproduzir a campo por vários anos nas condições do Brasil Central, levou oito grupos brasileiros, liderados pela Agropecuária CFM, de São José do Rio Preto (SP), e a companhia americana Leachman Cattle a trabalhar no Projeto do Composto Tropical Montana. O núcleo de elite do projeto, hoje, fica na Fazenda Posse, em Guaraci (SP), mas há trabalhos em várias fazendas de outras regiões do Brasil.
Os bovinos compostos, de maneira geral, são formados a partir de pelo menos quatro raças, o que, segundo os técnicos, possibilita boa heterose já no primeiro cruzamento e a manutenção dessa heterose. Esses animais combinam as características de cada raça para o produto homogêneo desenhado para um mercado específico.
Os animais têm manejo simples, em monta natural, e são planejados para ter porte moderado, rusticidade e condições de cobrir a campo, e, no caso do montana, serem mochos, com pelagem avermelhada.
De acordo com o presidente da Agropecuária CFM, franqueada do projeto, J. Purgly, o composto montana combina com raças já adaptadas ao Brasil. ‘‘O projeto tem quatro anos e utiliza 50 mil vacas nelore’’, informa.
O dirigente da Leachman Cattle Company, Lee Leachman, enumera vantagens da inseminação artificial para buscar os melhores touros em cada raça participante da composição do montana. Segundo ele, os animais são avaliados no peso ao nascer, no desmame e em relação à precocidade. Um núcleo de elite de animais está sendo formado com as melhores fêmeas de todos os rebanhos participantes.
FranquiaUm diferencial do projeto é o sistema de franquias, ao contrário de programas normais de associação de raças, em que cada pecuarista toma decisões isoladamente. O projeto na segunda etapa, além de pecuaristas franqueados desde 1994 (CFM, Fazenda da Barra, Agropecuária Maluhy, Hélio Coelho e Filhos - Pecuária e Lavour, Cia. Agrícola e Pastoril Campanário, Someco, Ana Luiza Quinto de Camili e Adolpho Fetter), está incorporando outros 12, com propriedades no Sudeste e no Centro-Oeste. Como resultado, mais 25 mil fêmeas nelore serão utilizadas para seleção do montana.
Pugly, da CFM, acredita que entram no mercado para pelo menos cinco mil touros montana por ano. ‘‘Considerando que a capacidade máxima de produção do grupo atualmente é de dois mil machos/ano, a partir do ano 2000 precisaremos de novos parceiros, a médio prazo, para atender a demanda.’’

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