Uma semente produzida em campos livres de agrotóxicos e de adubos químicos. Essa é a proposta da Cooperativa Regional dos Agricultores Assentados (Cooperal), sediada em Hulha Negra (RS). O projeto, idealizado em 1995, foi implementado na última safra de inverno e já produziu seu primeiro fruto. A Cooperal colocou este ano no mercado a marca Bionatur - uma linha de sementes agroecológicas.
O produtor Amarildo Antônio Zanovello, diretor da Cooperal, conta que, na última safra, participaram do projeto 12 produtores assentados. Já foram produzidas e estão sendo comercializadas mais de duas toneladas de sementes de cenoura, cebola e quiabo.
Produção e mercadoO manejo das culturas é criterioso e acompanhado de perto por técnicos. Amarildo Zanovello explica que nas lavouras de produção das sementes não são utilizados agrotóxicos. A adubação é feita com fosfato de rocha e biofertilizante (um composto de esterco, cinza e sais naturais). A Bionatur é uma semente fiscalizada, mas a partir dessa safra, os assentamentos estarão produzindo sementes certificadas de cebola.
‘‘Também estamos aumentando o número de produtores participantes e de culturas’’, afirma. Nesta safra, a Cooperal está trabalhando com espécies como cenoura brasilia, cebolas baía periforme e crioula, abóboras menina e caserta, melão gaúcho e quiabo santa cruz, além de forrageiras e plantas para adubação verde. O número de produtores envolvidos com a produção da Bionatur aumentou para 34.
As sementes têm mercado cativo: os assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do País e os produtores orgânicos. ‘‘Mas, queremos atender também o mercado em geral’’, conta. A Bionatur é comercializada por preço similiar ao das sementes tradicionais. Entretanto, seu custo de produção é menor. ‘‘Vendemos pelo mesmo preço um produto de melhor qualidade e, ao mesmo tempo, proporcionamos uma renda maior ao produtor’’, salienta Zavonello.
Com validade de três anos, a semente agroecológica tem outra vantagem: como é embalada sem uso de produtos químicos, pode ser utilizada na produção de broto para a alimentação. A intenção dos assentados vai além da conquista de mercado. ‘‘Queremos incentivar o cultivo de produtos mais saudáveis, com o resgate da biodiversidade e a proteção do meio ambiente’’, diz.
A Cooperal foi fundada em 1992 e é resultado da união de 700 famílias assentadas nos municípios de Hulha Negra e Candiota (RS). Além da produção de sementes, esses agricultores trabalham com gado leiteiro, milho, sorgo, soja e alguns projetos de diversificação. Uma das novas idéias da Cooperal é produzir carne suína sem uso de antibióticos - ‘‘um produto mais saudável’’, afirma Zanovello.

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