Cláudia Barberato
De Londrina
Na previsão dos técnicos não haverá sobras de capim este ano. A seca nos últimos meses de 1999 e o frio, até praticamente dezembro, prejudicaram a rebrota dos pastos. ‘‘Em novembro já deveria ocorrer até sobra de pastagens, o que não aconteceu’’, afirma o agrônomo de Londrina, Pedro Katsuki.
As chuvas dos últimos dias, segundo o agrônomo, não serão suficientes para recuperar o vigor de muitas áreas de pasto. O recomendado agora é usar a safrinha para suplementar os animais ou plantar reservas de napier. Outra opção é o milheto para pastejo.
Com a chuva e o calor do período também é possível fazer adubação dos pastos e preparar a vedação de áreas para garantir o alimento daqui para frente. ‘‘A falta de chuvas prejudicou a rebrota das pastagens e castigou diversas áreas onde o capim está praticamente raspado’’.
Situação críticaNormalmente a brotação do pasto acontece em setembro e em novembro as áreas já têm que estar com sobra de produção de massa verde. Isto não aconteceu no ano passado em função do clima. A falta de chuvas no início do ano castigou as pastagens em várias regiões.
No Paraná, por exemplo, a região que fica às margens do Rio Paranapanema, como os municípios de Santo Inácio, Colorado, Itaguajé e outros, o pasto começou a brotar, mas não foi suficiente já que os animais comeram os brotos. ‘‘A situação é crítica’’, avisa o agrônomo Pedro Katsuki.
No invernoOs pecuaristas deverão dar mais atenção este ano ao preparo ou conservação de forragens que serão destinadas à alimentação dos animais no inverno. O alerta é do professor do Departamento de Produção Animal, da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São Paulo), de Piracicaba (SP), Moacyr Corsi. ‘‘Isto porque a falta de chuvas no verão, época em que historicamente chove mais e os pastos têm maior e melhor produção, terá reflexo mais tarde, na entrada do inverno’’.
Uma das recomendações de Corsi e Katsuki é plantar safrinhas de milho e sorgo. Há tempo ainda, segundo Corsi, de plantar também o milheto, que é resistente à seca e tem boa produção de massa verde. ‘‘Estes materiais poderão ser conservados, mais tarde, na forma de silagem ou pré-secados’’, afirma Corsi.
Outra recomendação é se preparar para o plantio de inverno, escolhendo sementes de azevém, aveias, centeio, e de outras culturas da época. Mais uma medida seria fazer a adubação de pastagens existentes, para elevar os recursos forrageiros para o inverno. A adubação servirá para garantir reserva de forragens para o período e também reforçar a brotação de verão. A medida deverá ser feita de acordo com análise do solo e recomendação de um profissional, a fim de atender as exigências da planta.
Corsi aconselha também reduzir o rebanho, selecionando os animais de interesse para o produtor e vendendo o resto. Numa escala de importância, ele recomenda descartar primeiro animais com problemas reprodutivos, depois por índices de produção e, a seguir, outros que não tragam rentabilidade para a criação.
O que plantarO agrônomo Pedro Katsuki recomenda que o plantio do milheto seja feito no máximo até final de fevereiro e que o produtor use variedades mais resistentes a fotoperíodo. Ou seja, plantas que não floresçam rapidamente em dias mais curtos, o que resultariam em pouca massa. O milheto pode ser usado na forma de feno, silagem ou pastejo.
Katsuki avisa que outro manejo é vedar os pastos para ter uma sobra no inverno. ‘‘A partir de agora fecha uma área, que pode ser de 20% do total de pastagens da propriedade, é só usa em maio. O pasto vai crescer e fica tipo feno em p钒, explica Katsuki.
Com as chuvas dessa semana, os pastos já deram uma reagida, mas isso segundo Katsuiki, será insuficiente. ‘‘A partir de março as plantas entram em período de menor crescimento.’’ O agrônomo recomenda que a vedação seja feita em pastos de brachiária e brizantão, porque são materiais que ficam mais macios depois de secos. Diferente da tanzânia, por exemplo, que fica muito dura; ou da mombaça que depois de seca fica só talo. ‘‘Quem não fizer a vedação terá problemas’’, avisa.
Plantio diretoOutra recomendação de Katsuki é fazer uma área de napier para ter reserva de comida dos animais nos meses de maio e junho. A partir de abril também poderá ser feito plantio de aveias. Para quem tem a maquinaria, o agrônomo indica fazer o plantio direto da aveia em cima do capim brachiária, por exemplo, em abril ou maio, no máximo, quando o capim pára de crescer.

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