Se existe espaço de tempo para o produtor crescer – e este é o momento de investir – por outro lado é preciso dizer que recursos precisam ser aportados pelo governo para que isso aconteça. O dinheiro deve ser volumoso e barato, a juros baixos, para que o setor sinta segurança na hora da captação. Nos últimos anos, o tão esperado Plano Safra não conseguiu atender de forma efetiva os anseios do setor. A expectativa é que para a temporada 2019/20, com lançamento previsto para meados do ano, o governo se sensibilize para este cenário de bom momento para investimentos.

Só como parâmetro, entre julho de 2018 e março agora, foram contratados R$ 110 bilhões em financiamentos de crédito rural, alta de 6% se comparado ao aplicado no mesmo período do Plano Safra 2017/2018. Já a agricultura familiar desembolsou R$ 18,8 bilhões no período. Esse valor é superior ao mesmo período da safra anterior em 16%. O total aplicado do crédito rural é de R$ 129 bilhões, alta de 8% sobre igual período na safra anterior. Números positivos mesmo que os recursos a juros baixos, de 7,25%, tenham acabado rapidamente, ainda em novembro do ano passado.

Em passagem por Londrina durante a ExpoLondrina, a ministra do Mapa, Tereza Cristina, admitiu que o recurso com esses percentuais mais em conta de juros foram baixos no atual Plano Safra, que encerra em três meses. “Quando o Bolsonaro fez minha indicação, durante a transição (de governo), ainda conseguimos mais R$ 6,5 bilhões (a juros baixos). Dinheiro que foi utilizado por pequenos e médios produtores. O grandes acabaram pagando juros de 9% a 11%, o que não cabe nas contas do produtor.”

Na opinião da ministra, a política de governo precisa ser outra para a pasta. A ideia é que em médio prazo não exista mais Plano Safra. “Precisamos ter uma política para a agricultura. Não podemos ficar todo ano ansiosos para saber quanto de dinheiro teremos no Plano Safra. Nosso agro é um dos segmentos mais importantes para a economia. Ele precisa ter crédito compatível (com sua representatividade). Temos de ter pelo menos uma previsibilidade (de recursos) para os próximos cinco anos para que todos possam se planejar, investir no solo, em novas sementes...o agro embarga muita tecnologia para ter maiores produtividades.” (V.L.)

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