Durante as aulas no Centro de Treinamento Agropecuário de Ibiporã, os alunos do curso de administração rural debateram os principais fatores que têm contribuido para a crise do setor. A falta de política agrícola e de união entre a classe produtiva foram aspectos unânimes entre os participantes. ''Agora que a água bateu no nariz, os produtores estão tendo que aprender a nadar'', brincou o agricultor Fabio Soares.
Para o instrutor Vidal Campos, o controle do capital social, que se traduz na organização social dos produtores em sindicatos, associações, cooperativas, é fundamental, principalmente em tempos de crise. ''A união fortalece o setor. Se o produtor está organizado, a reivindicação dele tem mais validade e pode ser atendida mais facilmente.''
''Unidos os produtores também conseguem resolvem problemas comuns a pequenos grupos, como compra de insumos, pagamento de serviços e outras despesas variáveis'', complementa Campos, ressaltando que a busca do agronegócio, hoje, deve ser pelo equilíbrio entre o preço e a produtividade. ''Quando o administrador rural conhece o custo de produção, pode tentar vender o produto por um preço que cubra os gastos dele. Se ele empatar, tem de entender que está apenas deixando de ganhar, mas que não está tendo prejuízo'', analisa.
O produtor de hortaliças orgânicas Leandro Ribeirete, de Ibiporã, acredita que com os conhecimentos adquiridos no curso será mais fácil controlar a propriedade. ''A maioria dos produtores não sabe como calcular os gastos da propriedade e os custos são a base para o agricultor saber por quanto deve vender o produto'', diz.
O produtor Diogenes Casagrande, que cultiva 30 alqueires de soja, milho, trigo e aveia em sistema de plantio direto também em Ibiporã, concorda. Para ele, geralmente o produtor sabe produzir, mas não sabe calcular. ''Ele está perdendo e não sabe. Pensa que está ganhando.'' (M.G.)

mockup