Não basta preço, é preciso qualidade
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sexta-feira, 18 de maio de 2007
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Na hora de escolher uma fruta ou legume na feira ou no supermercado, o que mais chama a atenção do consumidor é o preço. Mas, não é apenas este item que deve contar para que a escolha seja correta. A aparência do produto é outro fator que é levado em consideração na compra. O Ministério da Agricultura, desde 1975 começou a estabelecer as primeiras regras que determinam um padrão oficial de qualidade para a maioria das frutas e hortaliças produzidas no País. Cada produto tem uma portaria ou uma instrução normativa que define os padrões. Hoje, 62 produtos têm classificação estabelecida pelo Ministério da Agricultura.
Em 2000, uma nova lei, a de número 9.972, de 25 de maio, torna obrigatória a classificação de produtos quando forem, por exemplo, destinados diretamente à alimentação humana, quando se tratar de produto importado, ou ainda nos casos de compra e venda do produto em todas as esferas do Poder Público.
Mas não bastam regras, é preciso investir na capacitação das pessoas envolvidas com esse segmento. Durante este mês, a engenheira agrônoma Ivonete Teixeira Rasêra, diretora da ITR Consultoria e Treinamento, está promovendo em Curitiba o ''Curso Oficial sobre Formação e Habilitação de Classificadores de Frutas e Hortícolas''. O curso, que se encerra no dia 29, tem como público engenheiros agrônomos e técnicos agropecuários e abrange produtos como alho, batata, cebola, tomate, abacaxi, maçã, pêra, kiwi e uva.
Ivonete aponta uma série de dicas para que a escolha das hortaliças pelo consumidor possa ser ''a melhor possível''. Entre as recomendações - que valem para qualquer alimento - ela orienta a opção por produtos de época e a compra de ''porções'' adequadas ao consumo da família. ''Não compensa fazer grandes estoques, porque cada produto tem um tempo limitado de conservação'', explica.
No caso específico do tomate, ela recomenda que o consumidor escolha um produto mais maduro se for usar no próprio dia da compra e mais verde se for consumir dentro de alguns dias. ''O tomate que estiver podre, esmagado e rachado deve ser deixado na banca'', diz. Também é importante ver se o produto está bem formado e não apresenta nenhum tipo de dano, o que pode provocar perdas na hora de consumir. O tomate bem maduro é indicado para molho e os maduros mais firmes para salada.
Ela destaca que produtos como a uva e o abacaxi colhidos antes da maturação terão sabor azedo e não vão madurar mais. O abacaxi deve estar com uma coloração mais amarelada para estar apto ao consumo. Segundo Ivonete, há produtores que chegam a usar produtos para acelerar a alteração da coloração.
Antes de comprar batata é importante verificar se não está podre, com broto, com coloração esverdeada, esfolada além de escolher a variedade de acordo com o uso culinário que será feito. As variedades Ágata, Mondial e Monalisa são mais indicadas para cozinhar e assar e a Bintje para fritar, cozinhar e assar. A Atlantic, Chipe e Colorado são preferidas pelas indústrias para a produção de batata chips.
Ao comprar cebola, o consumidor deve levar as que estão com a película protetora porque duram mais. A cebola sem casca absorve mais a umidade e apodrece mais rápido. Outra dica é não levar para casa produtos com brotos. O alho precisa também estar bem formado e com casca.
No caso da maçã, o produto deve apresentar cor homogênea e não deve ter perfuração junto ao cabinho. Além disso, o consumidor deve escolher uma fruta sem manchas, ou marcas exteriores provocadas por doença ou que esteja batida. Outra dica é verificar se o produto não está com a casca enrugada.
Ivonete destaca que algumas promoções trazem produtos de qualidade ruim. ''O consumidor compra e tem perda em casa.'' Segundo ela, em algumas situações os produtos são mais caros nas feiras livres porque os feirantes compram direto dos atacadistas ou dos produtores. Mas, por outro lado, nestes locais, alguns produtos oferecem melhor qualidade.


