Marcos BorgesProdutividadeO milho irrigado consegue maior produtividade, independente do período de estiagemA utilização da irrigação ainda é insignificante no Brasil e também no Paraná, Estado que responde pela produção de 25% dos grãos brasileiros. Dos seis milhões de hectares (ha) agricultáveis no Estado, estima-se que apenas 100 mil ha sejam irrigados. A tecnologia, que é amplamente difundida em outros países, começa agora a ser tornar mais acessível aos produtores brasileiros, pela redução de preço.
Segundo o agrônomo Miguel Afonso Vargas, que trabalha com projetos de irrigação há mais de 15 anos, o custo de implantação de um sistema de irrigação até na década de 80 variava em média de US$ 4 a US$ 5 mil dólares por hectare (ha), e hoje gira em torno de US$ 1,5 por ha.
Vargas explica que este custo é relativo, pois o projeto vai depender das condições de cada área.‘‘A concepção de irrigar não deve ser a de substituir a chuva, pois nada se compara com a água de chuva, mas sim de fornecer uma quantidade certa de água em determinado estágio de desenvolvimento.
VantagensO uso da irrigação é mais difundido entre os produtores de hortaliças e flores, porque sem esta tecnologia, simplesmente não é possível produzir competitivamente estas espécies. Mas alguns produtores já começam a despertar para a irrigação em outras culturas, como o café, milho, soja ou trigo.
As vantagens da irrigação são muitas. A primeira delas é que o produtor pode programar seu plantio e colheita para a época mais propícia, sem ficar totalmente na dependência do tempo. ‘‘De acordo com o planejamento de cada área, o produtor pode chegar a ter três safras por ano, com boa rentabilidade e sem correr riscos’’, comenta o agrônomo Seiji Igarashi, da empresa Decisão - Tecnologia Agropecuária S/C Ltda., de Londrina.
O agrônomo alerta que a irrigação, considerada uma tecnologia de ponta, só dá bons resultados quando outras práticas de manejo e condução da cultura são adotadas também. ‘‘Não basta jogar água de qualquer maneira. Tem que haver um planejamento e acompanhamento técnico para a implantação de um projeto de irrigação eficiente’’, diz Seiji.
A fertirrigação é outro benefício. Ao mesmo tempo em que se joga a água, aplica-se o fertilizante ou outros insumos necessários, na mesma operação, economizando tempo e mão-de-obra. O agrônomo lembra que a irrigação deve ser feita na quantidade certa, no horário adequado e na época que a planta necessita, para ter o melhor resultado.
AutomatizaçãoO conceito de irrigação mudou bastante nos últimos anos. A irrigação convencional com aspersores e canhões evoluiu para técnicas como gotejamento, microaspersão, e tudo isso automatizado através de pequenos microcomputadores que comandam as operações necessárias. ‘‘Um pequeno microcomputador custa em torno de R$ 500,00 e pode programar a irrigação para a madrugada, que é o melhor horário para molhar a terra e também com menos custo porque utiliza a energia fora do horário de pico’’.
Vargas informou que a implantação de projeto deste tipo não sai caro. Recentemente instalaram equipamentos automatizados em l9 hectares (ha) de café adensado, a um custo aproximadado de R$ 1.800,00. Numa área de milho e feijão irrigado em São Paulo, o produtor está conseguindo colher 10 mil quilos/ha de milho e 50 sacas/ha de feijão.‘‘Isto representa 3 a 4 vezes mais do que a média do Paranᒒ, comenta Vargas.
No Brasil, a irrigação tem sido mais utilizada em áreas onde os solos são mais pobres. Seiji cita como exemplo, no Paraná, a região de Mauá da Serra, que tem solos pobres, aplica tecnologia e consegue produzir mais do que muitas áreas nobres de alta fertilidade.
Em outros países, irrigar é uma prática bastante comum, sendo um dos fatores responsáveis pelas altas produtividades alcançadas, principalmente nos Estados Unidos.
InvestimentoO retorno do investimento feito em irrigação varia de acordo com a cultura que estiver sendo explorada. No café, por exemplo, leva uns quatro anos, mas em hortaliças é bem mais rápido. A vida útil dos equipamentos em média é de 20 anos para pivô central e 10 anos para gotejamento.
Segundo Seiji Igarashi, o produtor não deve pensar em implantar irrigação apenas para uma cultura, mas para um sistema em que ele possa explorar também outras alternativas. No caso do trigo, o agrônomo diz que o retorno da lavoura não compensa um investimento exclusivo para sua produção, mas se pode viabilizar com outras culturas. ‘‘O produtor pode plantar soja em outubro, colher em janeiro, depois plantar feijão e depois o trigo, tendo uma receita mensal’’, diz.
Para o trigo é fundamental a irrigação no período de germinação, no perfilhamento, na elongação do colmo (que vai definir o tamnho da espiga) e no florescimento. Se a planta sofre estresse hídrico nesta fase, pode ter parte de sua produtividade comprometida, destaca.
Para um bom projeto devem ser considerados fatores como o tipo de solo, qualidade da água, distância da fonte até a lavoura, histórico da área e tipo da cultura.

mockup