''Nada de fechar para balanço''
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sexta-feira, 04 de junho de 2004
Karla Matida<br>Reportagem local 
O momento é especial para o solo, que está praticamente em férias, já que só os produtores de trigo é que estão se movimentando. De acordo com o engenheiro agrônomo e pesquisador do Iapar Ademir Calegari, no Paraná, são cultivados, com culturas anuais, mais de 6 milhões de hectares na safra de verão. Apenas uma parte dessa área, entre 30 e 40%, é utilizada no inverno. ''O restante fica exposto à ação da erosão, lixiviação de nutrientes e infestação por invasoras'', explica.
Desde 1977, Calegari vem se dedicando ao estudo do solo assunto do seu doutorado em andamento. Ao longo desses anos viu e ajudou a mudar muita coisa com suas pesquisas. ''Participei do processo de desenvolvimento de tecnologia'', lembra. Isso porque 30 anos atrás não se falava do que hoje se chamam de plantas de cobertura, que por sinal, até pouco tempo atrás se conhecia por adubo verde. ''Naquela época ouviu-se dizer que elas (plantas de cobertura) poderiam se tornar invasoras. Aconteceu justamente o contrário)
''Essa matéria será publicada no dia 5, se o produtor plantar no dia 8, daqui 120 dias vai estar na época do manejo, exatamente uma ou duas semanas antes do plantio da soja'', faz as contas Calegari. ''Ainda há tempo de proteger, melhorar e recuperar o seu solo'', avisa enfaticamente. E por proteção, melhoria e recuperação, entenda-se semear o solo por ''plantas mais nobres, exímias melhoradoras'', explica. A lista é grande e tem aveia preta, nabo forrageiro (pivotante), ervilhacas, ervilha forrageira, tremoços, centeio, azevém.
''A grande maioria das plantas de cobertura não é multiplicadora de nematóides (vermes do solo)'', explica. ''Não queremos ocupar a área do trigo. Não é para competir, mas sim para ocupar os 60, 70% que sobram'', explica. Segundo Calegari, as plantas de cobertura melhoram o solo em níveis químicos (são recicladoras de nutrientes e no caso das leguminosas, também são fixadoras de nitrogênio), físicos (têm habilidade em descompactar o solo) e biológicos (aumenta a biodiversidade com o número de organismos no solo).
As plantas de cobertura são apenas um dos quesitos importantes. ''Somos contra e, portanto, não endossamos a monocultura como por exemplo quem planta soja-trigo-soja-trigo. É preciso ter uma sequência adequada na rotação de culturas'', diz o pesquisador. ''A rotação de culturas sustentáveis é obrigatória no plantio direto'', diz. Outros fundamentos importantes de acordo com o entusiasta Calegari são ''não devemos arar, nem queimar'', avisa.
''Aqui no Norte do Estado, o ideal é plantar de março a maio, no máximo até meados de junho. Já lá no Sul, agora é o melhor momento. Quem não tem milho safrinha e trigo não pode deixar a terra para as invasoras'', ensina o pesquisador. ''Dizem que o inverno vai ser rigoroso e é isso que elas (plantas de cobertura) mais querem'', explica.
Quem se inspirou com as dicas de Calegari também precisa saber que para acertar ainda mais na hora de proteger o solo é bom apostar nos consórcios ou coquetéis. ''Essas misturas de plantas de cobertura promovem uma heterogeneidade com habilidades diferenciadas'', avisa. ''A curto, médio e longo prazos também melhoram o potencial produtivo da terra, além de dar maior estabilidade de produção, com um solo equilibrado'', diz.
Mesmo para quem já semeou culturas de inverno, o pesquisador indica uma possibilidade. ''Após a colheita de trigo ou do milho safrinha é possível semear coberturas de curto período (50-65 dias), como capim moha (Iapar), crotalaria juncea, milheto, sorgo forrageiro'', diz. ''Temos de devolver à terra o que ela está nos dando'', lembra Calegari.


