Município localizado na RMC (Região Metropolitana de Curitiba), Araucária é o maior produtor de peras do Paraná, respondendo por quase 50% da produção da fruta em todo o estado.

Dados levantados pelo Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento), apontam que Araucária produziu 800 toneladas de peras em 35 hectares de terras em 2023.

O volume e o VBP (Valor Bruto de Produção) advindos da cultura da pera em Araucária – R$ 2,8 milhões – responderam por 49,5% da produção estadual em relação ao cultivo da fruta em todo o estado.

Para se ter uma ideia da hegemonia de Araucária na produção de peras no Paraná, em segundo lugar no ranking ficou Campina Grande do Sul, também na Região Metropolitana de Curitiba, com participação de 3,5% no VBP advindo da fruta no estado. O relatório do Deral mostra ainda que a pera foi produzida em 75 municípios paranaenses em 2023.

Irani Castro da Silva Soares, técnico agrícola do IDR (Instituto de Desenvolvimento Rural) em Araucária, explica que o clima e a proximidade com a capital do estado [menos de 30 km] favorecem o cultivo da pera no município.

“A proximidade do grande centro consumidor Curitiba e as condições climáticas favoráveis incentivam o cultivo da pera, que tem necessidade de horas de frio para produzir, sendo que cada cultivar tem sua necessidade”, pontua.

O secretário de Agricultura de Araucária, João Paulo Druszcz, detalha que são necessárias várias horas de frio na casa dos 7 graus para que a pera se desenvolva de maneira adequada, o que inviabilizaria a cultura em regiões mais quentes, como o norte do Paraná.

DIVERSIFICAÇÃO

Estimulados por esses fatores, os produtores encontraram na pera uma oportunidade para diversificar a produção agrícola – hoje são 12 agricultores que se dedicam ao cultivo da fruta em Araucária, com mão de obra familiar. Grande parte da produção é comercializada via Ceasa de Curitiba.

O secretário da Agricultura destaca que a cultura da pereira demora até atingir estabilidade na produção, fazendo com que menos produtores se sintam atraídos para ela.

“Também é exigente em quantidade de frio no inverno. A falta de frio contribui para uma menor floração e menor qualidade do fruto. Também, normalmente, a planta apresenta-se bastante vigorosa no verão. Essas características exigem que o produtor busque conhecimento e capacitação para garantir uma melhor produção. Outro desafio é que, depois de colhidas, as frutas devem ficar em câmara fria – isso dá mais maciez na polpa da fruta e também deixa a pera mais doce.”

Para apoiar a atividade, o IDR presta assistência técnica em fruticultura a um grupo de produtores. “Os pioneiros no cultivo da pera no município estão sendo sucedidos por jovens fruticultores qualificados”, destaca o técnico.

A Secretaria Municipal de Agricultura, por sua vez, presta suporte e orientação aos produtores, com práticas e técnicas de manejo do pomar (desde a correção de solo), caso necessário.

Produtor de pera há 35 anos em Araucária, Osmar Stopa começou na atividade quando o pai implantou uma pequena área, pouco produtiva. Com o falecimento dele, o agricultor resolveu buscar tecnologia para tornar ampliar a produtividade do pomar.

Hoje, são 12 hectares cultivados de pera, com a expectativa de colher 80 toneladas da fruta neste ano. Toda a produção é comercializada para a Ceasa de Curitiba. Para obter o máximo em produtividade e qualidade, Osmar cita o aprimoramento contínuo do conhecimento e das tecnologias para aplicar na produção.

Entre os desafios, ele cita a falta de mão de obra, sendo que na colheita necessita de 10 trabalhadores. “Os preços estão se mantendo iguais ao ano passado, com uma pequena queda no mês de janeiro devido à situação econômica do país”, pontua. Apesar disso, conta que a atividade tem sido lucrativa, com margem de 30%. Em média, o quilo da pera tem sido comercializado a R$ 2,80 recentemente.

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