"Se você se alimentou hoje, agradeça um produtor rural." Essa máxima que retrata a importância do agricultor para o mundo moderno ganhou uma versão tupiniquim em 2015. Seria mais correto dizer: "Se a economia brasileira ainda respira, agradeça a um produtor rural". Não é exagero a troca de palavras, afinal, é graças à superação deles, em meio a um cenário econômico tão complexo, que os índices brasileiros estão se segurando. Hoje, comemorando antecipadamente o Dia do Produtor Rural, celebrado em 28 de julho, a reportagem da FOLHA mostra como as famílias do campo têm feito para driblar os problemas econômicos atuais, que as atingem diretamente, mas não as desanimam.
De fato, o homem do campo teria muitas justificativas para reclamar. Alta dos insumos devido ao câmbio, preços das commodities abaixo do praticado no ano passado e taxas de juros mais caras dentro do Plano Safra são alguns dos pontos negativos. Por outro lado, ele não desiste: investe em tecnologia, se capacita, aumenta a produtividade e coloca na ponta do lápis os custos de produção para atingir os resultados financeiros desejados. Sem dúvida, o produtor rural sabe driblar as adversidades e coloca a gestão em holofote para superar os problemas.
O setor, no Paraná, formado principalmente por agricultores familiares, mostra a força do agronegócio nos números recentes. O Estado é o segundo maior produtor nacional de grãos, de acordo com dados do 10º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em julho, com 18,3% da safra nacional. Os produtores estão no topo do ranking nas culturas de feijão, cevada, trigo, mandioca e na criação de frango e em segundo lugar para soja e milho.
De toda a exportação paranaense em 2014, 72% estão diretamente ligados ao agronegócio. Em maio de 2015, no Estado, foram perdidas 1,36 mil vagas de emprego, enquanto a agropecuária criou 510 vagas, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Por fim, a cereja do bolo: enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) do País retraiu 1,6% no primeiro trimestre do ano, o agronegócio cresceu 4% frente ao ano passado.
O coordenador do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), Francisco Carlos Simioni, salienta que hoje o produtor paranaense coloca as contas na ponta do lápis para decidir a melhor forma de investir seu capital. "Primeiro, ele vai atrás da boa lavoura e da produtividade, com o intuito de minimizar o impacto de todos os aumentos que tem vivenciado. Mas o principal desafio da safra 2015/16 são os aumentos das taxas para fazer o custeio, a condução da lavoura, tanto da agricultura empresarial como a familiar, com o Plano Safra", relata ele.
Independentemente do tamanho do produtor, Simioni não tem dúvidas de que a relação entre gastos e comercialização dos produtos deve estar na ponta do lápis. Gestão é tudo neste momento econômico difícil. "É necessário calcular todos os gastos da propriedade para minimizar custos e maximizar lucros. Só se consegue isso através de um bom planejamento, desde a compra dos insumos até a venda da produção. As novas taxas de juros e realinhamento dos preços no mercado mundial exigem isso."
Integrado ao sistema cooperativista, o produtor vence dificuldades. No sentido tecnológico, a fronteira agrícola paranaense está esgotada e a única alternativa é crescer verticalmente, em produtividade. "Só há um caminho para o produtor paranaense: evoluir. É preciso um processo de agregação tecnológica cada vez mais forte, aliado ao cooperativismo consolidado, pensando, inclusive, no fomento da agricultura de precisão. A inovação tem que chegar e ser implementada de fato. Acho que estamos no caminho certo", finaliza o coordenador do Deral.

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