O pesquisador André Luiz Medeiros Ramos, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), endossa o projeto desenvolvido na Fazenda Bimini. Segundo ele, os arboretos em lavouras comerciais têm sido uma opção para a falta de madeira existente em países da Europa. Lá, informa ele, o setor madeireiro é abastecido exclusivamente por importação. O álamo, uma das espécies cultivadas em culturas de trigo na Inglaterra, tem tido bons resultados. Na Nova Zelândia, os arboretos em pastagens são muito populares e representam sombra para os animais e lucro com a venda da madeira.
Segundo Ramos, com o método, ''perde-se um pouco no total destinado à plantação, mas ganha-se na renda, com a madeira extraída''. Para aproveitar bem o espaço, principalmente em propriedade pequenas, ele recomenda que as árvores também sejam plantadas como cercas, nas divisas.
Entre as lavouras que mais se adaptam ao consórcio de árvores, ele destaca o café. ''Um casamento perfeito'', comenta o pesquisador. No Brasil, nas áreas onde se cultivam culturas de soja e no inverno dão lugar ao trigo, ele recomenda mudas de mogno africano, canafístula, uva do japão e louro pardo. Ele lembra que a seringueira também deve ser testada, especialmente pelos ganhos provenientes da extração da borracha. Os custos, afirma Ramos, são baixos. ''O maior custo é a mudança de mentalidade.''
Um dos benefícios, enumera o pesquisador, é a reintegração da propriedade como área ambiental. As lavouras ainda ganham com a proximidade das árvores. Com raízes mais profundas, as árvores reaproveitam os nutrientes não utilizados pelas plantas, com enraizamento mais raso. No Norte do Paraná, informa Ramos, apesar de poucos exemplos, os agricultores estão começando a aceitar a idéia. (M.B)

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