Na hora de vender lembre-se dos custos
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sábado, 17 de fevereiro de 2007
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Os bons ventos que sopram nos preços da soja e do milho no mercado internacional, na opinião da economista Gilda Bozza, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), são resultado de uma combinação de fatores. No início da semana o preço pago na Bolsa de Chicago, para pagamento em março, com embarque no Porto de Paranaguá, era de US$ 16,54 (R$34,60) para a soja e US$ 9,64 (R$ 20,16) para o milho, ''melhor preço pago pelo grão desde 1996'', destaca.
''A safra menor de soja dos Estados Unidos (que se encerrou em outubro), associada também à quebra da produção do trigo na Austrália, Estados Unidos, Canadá e Argentina, tiveram suas contribuições. Mas o ponto alto é o anúncio do aumento da área americana de milho'', afirma.
Esse anúncio, segundo Gilda, trouxe um temor de falta de soja no mercado que mexeu com os interesses de investidores que apostaram no grão, elevando os preços no mercado. ''Soja, trigo e milho são as principais commodities do mercado agrícola e parece que há uma sinergia entre elas, o que afeta o mercado de uma, deixa seus reflexos nas outras'', ilustra. Os três grãos formam o complexo rações e, com isso, puxam a alta nos preços.
Como já é de conhecimento mundial, os americanos investem no milho como opção para a produção de energia renovável (etanol). Essa utilização abre para a necessidade de mais 3 a 4 mil acres (1,6 mi/ha) de área plantada. Para a economista da Faep: ''O mercado fez uma leitura que a utilização da soja e do milho para energias alternativas cria um estado de concorrência com o mercado de alimentos''.
Gilda ressalta que o relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (Usda), divulgado no último dia 9, mostra que a produção de etanol naquele país deve consumir 81,3 milhões de toneladas de milho - era esperado um consumo de 55 milhões/t. Para compensar esse consumo os americanos projetam uma redução de 7 mi/t nas exportações além da redução na utilização do grão por outros setores da indústria. ''Essa menor participação dos americanos no mercado externo do milho abre espaço para o Brasil e a Argentina suprirem a demanda'', informa.
Para o mercado brasileiro, entretanto, a manutenção da política cambial continua prejudicando os produtores agrícolas por não terem como agregar maior valor à produção. ''Há bons ventos mas é preciso saber aproveitar o momento de ventania'', ilustra Gilda Bozza, orientando os produtores a acompanharem os preços de mercado e aproveitar os melhores momentos para a comercialização. ''A bolsa de Chicago está cheia de repiques, por isso é preciso que o produtor faça suas continhas, tendo sempre em mãos o custo médio da produção, e, assim negocie conforme a necessidade'', orienta.
A economista lembra ainda que o mercado oferece mecanismos de defesa à volatilidade dos preços, como o mercado futuro e as bolsas de cereais. ''São canais de comercialização bem acessíveis e que devem ser melhor aproveitados'', finaliza.


