Na França, produtores se unem aos consumidores
Na França, a grande arma dos produtores rurais é a união que fazem com os consumidores na defesa de seus interesses. Eles conseguem atrair a simpatia do consumidor, mantendo as paisagens no campo de forma bucólica, com uma casa aconchegante, rodeada de campos e uma Igreja (com o sino) ao lado. Os agricultores fazem questão que os moradores das cidades, principalmente de Paris, façam visitas ao campo no final de semana. Para receber os visitantes, muitas das propriedades mantêm instalações apropriadas como restaurantes e passeios no meio rural.
Eles fazem questão de preservar esse modelo no meio rural e não se preocupam em erradicá-lo para ampliar a produção agrícola. Pelo contrário, a simpatia que conseguem junto ao consumidor é mais poderosa do que qualquer aumento de produção.
Segundo um dos dirigentes da Maison du Agricultaire (equivalente a Federação da Agricultura), Chrystophe Song Y.,a França tem um poder de compra muito grande - é a 4ª potência mundial - e por isso pode se dar ao luxo de preservar suas peculiaridades.
Diante de problemas como o mal da vaca louco ou febre aftosa, a tendência na França é elevar o consumo de ração vegetal. Isso elevou as expectativas dos produtores paranaenses que identificam nessa oportunidade uma forma de elevar seus ganhos com o fornecimento de soja cultivada de forma tradicional, sem organismos genéticos modificados (transgênicos), como querem os franceses.
Neste ponto os franceses são enfáticos. Primeiro eles querem uma garantia da procedência da soja brasileira, através de uma rastreabilidade garantida pelo mercado. Se não puderem comprar a soja como eles querem, não afastaram a possibilidade de reduzir o consumo de carne bovina. De acordo com Song Y, na França o consumidor tem dinheiro para comprar a carne bovina como ele quer.
Para entrar no mercado europeu, o fornecedor tem que ser muito sério porque o consumidor pode rejeitar o produto de um dia para o outro como ocorreu com a carne bovina. Em três dias, o consumo caiu tanto que o preço da carne baixou 50%. Além do problema dos produtos transgênicos que possam entrar na composição da ração animal, os consumidores são também muito desconfiados em relação ao uso de hormônios. Eles estão dispostos a pagar um preço melhor pelo produto desde que garantam que o produto é totalmente natural, explicou Song. (V.C)





