Os produtores sabem que o calendário muitas vezes é cruel e precisam atender a janela correta de plantio para não ter problemas no futuro, principalmente quem sai da soja e parte direto para o milho safrinha. Mesmo assim, poucos aqui na região Norte arriscam “plantar no pó” - esperando a chuva chegar - e a maioria está na expectativa da melhor umidade do solo para entrar com as máquinas de plantio. Desta vez, a seca veio antes da semente já desenvolvendo na terra, como aconteceu na safra passada, o que dá certo alento sobre os rumos que a produtividade do Estado vai tomar.

Em Apucarana, Stefan Stremlow está tranquilo em relação à safra da oleaginosa que está por vir. Numa área de 480 hectares, ele aposta na soja convencional e não faz a rotação com o milho safrinha, dando atenção também para as culturas de inverno, como trigo e aveia. “Não estamos plantando atrasado, aqui na região iniciamos um pouco mais tarde, até porque não faço a integração com o safrinha. Ano passado, ficamos com produtividade de 148 sacas por alqueire.”

Ele explica que na região já choveu em torno de 20 milímetros e espera um pouco mais de chuva, cerca de cinco milímetros, para iniciar o plantio numa área de 100 hectares. “Plantamos até meados de outubro sem nenhum problema. O trigo e a aveia chegam em meados de abril.”

Em relação a pragas e doenças, Stremlow trabalha com o MIP (Manejo Integrado de Pragas) e diz que o controle dos insetos está bem consistente. A aposta dele é da variedade BRS 511, da Embrapa Soja, cultivar convencional que possui resistência genética à ferrugem da soja, proporcionando mais eficiência e segurança ao manejo químico da doença. A resistência genética à ferrugem não dispensa o controle químico, mas representa uma importante ferramenta para retardar o avanço da doença no campo. “Esperamos uma produtividade boa (nesta safra).”

Geraldo Casaroto planta em torno de 1.210 hectares nos municípios de Londrina, Cambé, Ibiporã e Sertanópolis. Ele relembra que na safra passada já tinha plantado em metade desta área. Na atual, são apenas 72 hectares plantados, em torno de 5% da área total. “Ainda temos tempo hábil, mas vai atrasar um pouco o plantio do milho safrinha - 5 de março é o limite para a lavoura. A soja, temos que colher no final de fevereiro”, projeta ele.

O ponto positivo é que a seca está por aí antes do plantio. Na última safra, ele não teve essa sorte. A estiagem chegou numa fase crítica, de desenvolvimento da planta. Resultado foi uma safra de 115 sacas por alqueire, contra 150 sacas por alqueire do ano anterior. “Temos que plantar este ano com pelo menos 40 milímetros de chuva, para germinar. Nesses 30 alqueires (72 hectares) que plantei com pouca umidade, sei que não vai ser muito bom”, complementa.

Em relação à comercialização, o produtor ainda não fez nenhum contrato futuro com a commodity. “Ainda está muito cedo para isso”, complementa.

O produtor Daniel Delfini vai plantar 128 alqueires de soja na região de Londrina. Ano passado o plantio iniciou no dia 4 de outubro, mas deslanchou a partir do dia 7. A expectativa é atingir patamares entre 140 e 160 sacas por alqueire. "Acho que tem que plantar a soja em condições boas, bem feito, para nascer bem, não essa loucura que o pessoal está fazendo de plantar no pó ou com a terra com pouca umidade, acreditando que vem a chuva e depois não vem", esclarece ele, que acredita poder plantar tudo até o dia 30 de outubro.

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