Na estrada, o desafio
Na estrada, o desafio
A dois ou três quilômetros, dependendo do lugar onde você esteja, pode ouvir o toque de um berrante. É sinal de que uma boiada se aproxima. Depois, o som de outro berrante, vindo de lugar diferente. Quando estão a uns 1.000 metros uma da outra, as duas boiadas páram. Os capatazes (os chefes das comitivas), cada um com um auxiliar, iniciam um desafio de berrante. Um toca, o outro responde, dando o toque igual.
No berrante podem-se tirar mais de sessenta toques diferentes, ensina Alemão. O mais difícil é o Hino Nacional. Quando um capataz não consegue repetir o toque do outro, perde o desafio, e passa o berrante para o auxiliar. Então, ele e o companheiro dirigem-se ao vencedor, levando o berrante, e lhe passam o instrumento, como sinal de que reconhecem a derrota. Se o capataz perdedor não fizer isso, pode até sair tiro. Alemão ouviu muitos casos de comitivas, nas suas viagens a Mato Grosso do Sul. Para terminar, o perdedor corta a cerca da fazenda perto da qual estão, e recolhe seu gado ali. É para desimpedir o caminho e deixar prosseguir a boiada do vencedor. Quando este passa, o perdedor retira sua boiada para a estrada, conserta a cerca e continua a viagem, na direção contrária.(J.O.)





