A colheita está chegando ao fim, dando início ao período de entressafra, uma pausa para preparar o solo, ajustar equipamentos e também uma importante oportunidade para fortalecer a matriz produtiva. É hora de um olhar mais atento para a saúde do solo, tema que esteve presente nos três dias de realização do Bela Mais, realizado pela Belagrícola, entre os dias 3 e 5 de julho, em Cambé (Região Metropolitana de Londrina).

Entre as estratégias para proteção e recuperação do solo, a adoção de plantas de cobertura se sobressai. O Brasil tem um histórico de uso de planta de cobertura, chamadas de adubo verde, nas décadas de 70 e 80, com a implantação do sistema Plantio Direto (SPD) no país. Mas eram usadas de formas isoladas.

Com o passar dos anos, o conceito de mix de cobertura evoluiu significativamente. "Começamos com duas espécies há cerca de 25 anos; hoje, utilizamos de 7 a 10 diferentes espécies", destaca Ademir Calegari, pesquisador e consultor da Belagrícola, uma das autoridades pioneiras nos estudos de plantas de cobertura. Ele foi um dos palestrantes, ao lado do professor Telmo Amado, considerado uma das maiores autoridades em solo do país.

Benefícios do Mix de Cobertura

O principal benefício do mix de cobertura está na sua capacidade de regenerar e proteger o solo. "Cada planta tem habilidades únicas: fixação de nitrogênio, recuperação do solo, controle de plantas daninhas e contenção da erosão, além de promover biodiversidade", explica Calegari. A combinação de diversas espécies não apenas melhora a estrutura do solo, mas também reduz a necessidade de insumos químicos, como herbicidas e defensivos, contribuindo para a agricultura regenerativa.

No evento, foi mostrado aos visitantes uma cobertura feita com aveia branca, nabo forrageiro, ervilha-forrageira e centeio. Cada planta, ensina Calegari, tem sua habilidade de recuperação do solo, de fixar nitrogênio, de buscar nutrientes, aumentar micro-organismos benéficos, controlar nematoides, reduzir a população de fungos que podem causar doenças, ter palhada estável, controlar plantas daninhas, controlar erosão, ou seja, o mix proporciona o aumento da biodiversidade e por consequência melhora a saúde do solo e planta.

Segundo Calegari, os produtores que têm adotado o mix de cobertura obtêm resultados significativos, que viabilizam a adoção do método, reduzindo o custo de produção e aumentando a produtividade.

CRESCIMENTO

O investimento em mix de cobertura, no Brasil, está em rota de crescimento e este ano, na estimativa de Calegari, o país pode chegar a 3 milhões de hectares plantados.

O professor Telmo Amado informa que cerca de 30% do solo do planeta sofre com degradação. “Precisamos trabalhar para manter nossa matriz produtiva. Temos muitos problemas a serem enfrentados, mas também temos muitas soluções”, aponta o professor. (Com assessoria da Belagrícola)

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