O som das águas do rio Tibagi e o canto dos pássaros ao amanhecer embalam o sono da professora universitária Maria Josefa Santos Yabe, na propriedade que comprou há 10 anos, no distrito londrinense de Maravilha. Nos fins de semana e nas férias, ela e o marido, Taufik Abrão, engenheiro elétrico, deixam fórmulas, equipamentos e os demais afazeres acadêmicos para outras tarefas, igualmente importantes na zona rural.
Maria Josefa e Taufik fazem parte de um grupo de profissionais que tem uma atividade na cidade, mas que encara a vida numa pequena propriedade rural com a mesma dedicação e seriedade. Pós-doutora em química, Josefa desenvolve projetos de química aquática e do solo e acaba adotando na propriedade os conhecimentos gerados na pesquisa.
O rio Tibagi, que faz divisa com a propriedade, é uma das suas grandes paixões, que se traduzem em ação. Josefa participou dos projetos de recuperação do rio, como o Consórcio de Proteção Ambiental do rio Tibagi (Copati), na década de 1980 e até hoje participa de projetos de proteção de bacias hidrográficas. ''O rio faz parte da minha infância. Nadei muito lá, desde os meus quatro anos'', conta. Depois, a professora assistiu à morte do rio, o que a deixou indignada e determinou a sua atuação profissional.
Depois de projetos de recuperação, o Tibagi hoje tem ''qualidade razoável'' e Josefa não hesita em descer 600 metros até o rio para nadar, tal qual fazia na infância. De olho nas condições do rio, a pesquisadora afirma que a implantação de mata ciliar em propriedades que margeiam o rio, é fundamental para a sua existência. ''Muitos produtores ainda não se conscientizaram disso'', diz.
O respeito à natureza Josefa e o marido levam para todos os segmentos da vida. A propriedade de 20 alqueires estava completamente degradada quando foi comprada pelo casal. ''Escolhi esta área porque é vizinha do sítio do meu pai, onde passei minha infância'', conta.
As condições da propriedade hoje nem de longe lembram a situação de quase 10 anos atrás. Josefa e Taufik optaram por recompor a floresta original, e plantam árvores de acordo com um projeto do Click Árvore, do SOS Mata Atlântica. Há quatro anos foram plantadas 22.400 mudas e hoje parte da propriedade já tem características próximas às originais. O ganhos com a atividade agrícola virão com o palmito pupunha, que será cultivado no meio da floresta, que ainda avança pela propriedade: mudas de diversos estágios estão crescendo em outras áreas.
A opção pela preservação e recuperação da área já rendeu bons frutos. Josefa conta que há algum tempo antigos habitantes da região acabaram voltando. ''Hoje convivemos com pássaros que há muito tempo não víamos, como tucanos, coleirinha, picapau, jacutinga e jacu'', exemplifica. Cobras e tatus também aparecem sempre, assim como as tarturugas, que podem ser vistas no rio. Um extenso gramado e várias plantas agora circundam a casa.
O prazer de se dedicar à propriedade é semelhante ao que resulta de suas atividades na Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''Gosto muito do que faço como pesquisadora e consigo administrar meu tempo para desempenhar meu trabalho acadêmico adequadamente'', diz Josefa, que tem pós-doutorado na Espanha. Na universidade, recentemente Josefa foi responsável pela instalação de um equipamento de última geração para a realização de pesquisas.

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