Na cidade os valores do meio rural
Cristina Côrtes
A maioria das pessoas que vivem em Londrina há mais de trinta anos devem ter guardadas nas lembranças da infância as visitas à Exposição Agropecuária do município. Hoje é quase inevitável fazermos o mesmo percurso e levar os filhos para conhecerem a feira, ver de perto os animais, as plantas, as máquinas. A festa virou uma tradição na cidade, e todos acabam envolvidos de uma maneira ou de outra pelo clima ‘‘country’’, ou ‘‘caipira’’.
A cidade cresceu rapidamente nestes últimos anos, e por mais urbana que pareça com seus muitos edifícios e‘‘shoppings’’, os valores e a cultura do meio rural ainda são muito fortes em toda a população. E como são as pessoas que fazem a cidade, podemos dizer que Londrina ainda é muito rural.
Tem muita gente de fora que não consegue entender certas manias e gostos do londrinense. Antes mesmo que a moda de vestir ‘‘country’’ conquistasse o Brasil, em Londrina as pessoas já usavam há muitos anos, pelo menos no período de realização da feira. Aqui também as pessoas não gostam de lugares sofisticados e preferem a simplicidade e o estilo rústico. A gente nota isso nas casas, nas comidas, no bares, nos restaurantes, nos hotéis. Na verdade as pessoas querem transpor para acidade o ambiente rural que um dia conheceram e onde viveram.
Só conseguimos perceber isto mais claramente quando saimos daqui. Depois de 10 anos morando fora de Londrina, quando retornei vi que muitas coisas tinham mudado, mas a vocação da região continuava a ser a atividade agropecuária. O cheiro do mato, da terra e o ar puro permanecem ainda, mesmo em áreas centrais da cidade. Isto é um fato raro em cidades do tamanho de Londrina. E é muito bom olhar o ceú limpo, sem poluição. Estas condições têm relação direta com a atividade econômica da cidade, e penso que temos que valorizar a opção dos pioneiros.
Junto com a cidade a Exposição cresceu, virou nacional e até internacional. E a cada ano conquista mais espaço, gera riquezas, promove o desenvolvimento com a troca de informações e conhecimentos. Os eventos técnicos realizados durante a feira atraem pessoas de outros Estados que buscam novidades tecnológicas.
São muitas as cidades que realizam suas feiras agropecuárias locais, mas o que fez a Exposição de Londrina destacar-se como uma das mais importantes do País ? Afinal o que faz o sucesso da Exposição ?
Em primeiro lugar, expor é mostrar. E toda exposição, de qualquer produto ou trabalho, depende fundamentalmente da qualidade daquilo que é mostrado. Se o que você vai mostrar é bom, com certeza vai ter gente interessada em conhecer. Penso que aí é que está a chave do sucesso da Exposição. A mostra sempre se caracterizou por ser de boa qualidade, mesmo quando começou e ainda era uma pequena exposição. Consequentemente representa bons negócios para quem quer vender e para quem quer comprar.
Os pioneiros da pecuária local acreditaram neste valor e construiram o Parque que a cada ano recebe mais melhorias, para atender melhor o seu público. Nos dias da feira, mais do que nunca, a gente vê a integração entre o rural e o urbano.
O Instituto Agronômico do Paraná, por exemplo, quer destacar este ano para o público urbano que visita a feira, a importância dos resultados de pesquisa que tem produzido ao longo dos anos, e os benefícios para a população em geral. É bom que o cidadão tenha uma noção mais clara da importância da melhoria da produção de alimentos. E que se temos hoje uma diversidade e quantidade de alimentos é graças ao trabalho, muitas vezes, oculto dos pesquisadores.
A feira que nos seus primeiros anos mostrava somente a pecuária, hoje oferece aos visitantes as opções mais variadas de produtos e serviços, não somente ligados à atividade agropecuária, mas também em diversos outros segmentos.
O agribusiness é o negócio que mais cresce no mundo. As grandes potências favorecidas por condições territoriais investem primordialmente na produção e industrialização de alimentos. É questão de segurança nacional. O futuro do País, e do Paraná exige que, além de produzirmos, desenvolvamos tecnologia para industrializar. Não adianta querermos fabricar carros, máquinas, computadores. Precisamos das nossas agroindústrias. Isto tem sido dito e repetido.
A autora é repórter da Folha Rural.

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