Na Ceasa, boxistas preferem frutas de outros Estados

Não é preciso ser especialista em agronegócio para perceber a necessidade da fruticultura paranaense em galgar mais espaço no mercado consumidor. No varejo, basta passear pelos supermercados e perceber - pelos locais de origem - quantas frutas vêm de fora do Estado. Na Ceasa de Londrina, uma visita da reportagem da FOLHA nas primeiras horas da manhã e fica claro como os produtores paranaense ainda estão longe de dominar os boxes do local. As frutas de fora dominam os negócios.
Sérgio José da Silva é sócio de um dos boxes mais tradicionais no comércio de frutas da Ceasa da cidade, o Yokozawa e Silva. Com 30 anos de experiência do local, ele relata que 70% do volume que vende vem de outros Estados. É maçã do RS e SC, maracujá do interior de SP, ameixa de SC, mamão e melão do Nordeste e por aí vai. "Temos alguns fornecedores do Paraná, como a maçã eva e o maracujá de Mauá, a goiaba de Quatiguá, entre outros. O que nós percebemos é que a qualidade da fruta paranaense não compete com de outros locais e acredito que isso acontece na maioria das vezes pela falta de conhecimento técnico do produtor", explica.
Já o comerciante José Lúcio dos Santos trabalha com abacaxi desde 1993. Não importa se é pérola ou havaí, são aproximadamente dois caminhões (16 mil frutas) que chegam à Ceasa diretamente de Minas Gerais e Tocantins. "Do Paraná, só pego no final de ano, lá de Santa Isabel do Ivaí. O grande problema que acho ele chega mais miúdo comparado aos dos outros Estados", complementa.
Opinião similar a de Wagner Costa Terra, do box Barbosa e Terra. Trabalhando principalmente com melancia, em torno de 50 toneladas por semana, ele explica que seus principais fornecedores são do Rio Grande do Sul, das cidades de Arroio dos Ratos e Encruzilhada do Sul. "Há três anos não trabalho com produto do Paraná, porque a qualidade é menor. A melancia paranaense tem massa mais dura e é menos doce."
Para defender os produtores paranaenses, encontramos Nilton Carvano, de Uraí, comercializando seu maracujá graúdo e de ótima qualidade, além de uva e hortaliças, que produz numa área de 5 alqueires. Ele traz seu produto para Londrina três vezes por semana e também envia para Curitiba. "Acho que o pessoal pega bastante de fora (do Estado) devido ao clima daqui (que faz a produção oscilar). Mas eu considero a nossa fruta de boa qualidade e não perde nada dessas que vêm de outros lugares. Sempre quando tenho fruta, vende bem, mesmo com a concorrência grande. O produto é bom e dá para negociar." (V.L.)





