Conscientização. Essa foi a premissa para convencer os produtores da Fazenda Akolá, em Londrina, a demaracarem as áreas de mata ciliar. A fazenda, desde 2001, abriga um grupo de 42 produtores beneficiados pelo programa federal Crédito Fundiário (na época se chamava Banco da Terra) e é banhada pelo rios do Cerne e Taquara.
O presidente da Associação dos Produtores Fazenda Akolá, Antonio Carlos Gandolfi informa que desde a aquisição dos lotes já foram realizadas três plantios de mata ciliar, mas sem a participação de todos os envolvidos. No ano passado, um trabalho mais intenso no esclarecimento dos produtores permitiu que todos aderissem ao programa de reposição da mata.
Na fazenda de 485 hectares já constava de uma área de mais de 100 ha de mata nativa. Esse trecho foi mapeado e registrado como reserva legal da propriedade contando o direito de cada um dos lotes dos integrantes da associação. A Emater, segundo o técnico Paulo Roberto Mrtvi, que acompanha ao grupo, já providenciou o levantamento das mudas 16 mil , cujo plantio também espera a chegada do período das chuvas.
Até o final do mês, os produtores e mais um grupo de alunos do curso de Geografia, da Universidade Estadual de Londrina, farão uma limpeza em toda a extensão do leito dos rios na fazenda.
A falta da mata ciliar, como destaca o produtor Naldo Vieira da Silva, já trouxe muito prejuízo ao grupo. Ele mesmo admite que plantava até bem próximo à margem do rio, e já perdeu muita produção com enchentes, a última vez, em janeiro do ano passado. ''Além do solo recuperado, eu dependo de boa quantidade de água no rio para a irrigação'', afirma.
Paulo Mrtvi, que é mestre em meio ambiente em desenvolvimento, destaca que a reposição das matas não deve ser vista como uma punição aos produtores. ''Todos somos vítimas do processo de colonização instituido no Paraná, em que não se previam prejuízos com a degradação da natureza. As mudanças climáticas são os efeitos concretos disso. Ainda dá tempo de revertermos a situação''. (C.G.)

mockup