A Cooperativa de Produção Agropecuária Integrada, de Londrina, mantém desde 1991, no pátio de suas instalações no centro da cidade, o Museu do Café do Norte do Paraná. Em poucos metros quadrados estão reunidos apetrechos, utensílios domésticos, ferramentas, equipamentos, documentos e fotos que contam a história dos primeiros cafeicultores da região.
‘‘O museu é um resgate das antigas colônias’’, avisa um dos zeladores do local, Ciro Ohara. Cada peça ali tem valor sentimental e histórico, doadas por famílias de pioneiros. São peças que relembram a chegada dos primeiros agricultores ao Norte do Paraná, nos anos 20 e 30, que apostaram no café como cultura de sobrevivência e, mais tarde, transformaram a cidade em Capital Mundial do Café.
Do baú dos anos 20, passando pelo moedor de café, até uma coleção de jornais mais recentes, Ohara se emociona ao falar de cada objeto e dos livros sobre o café que considera uma raridade. Entre eles ‘‘Atlas Corográfico da Cultura do Café no Paranᒒ, editado em 1941, e ‘‘História Singela do Caf钒, de 1938, ambos editados pelo antigo Departamento Nacional do Café.
Ohara viveu parte de sua infância também ligado ao café. Seu avô e depois seu pai, Kazuo Ohara, plantaram café quando chegaram ao Paraná nos anos 40. A família de Kazuo Ohara, que foi também fotógrafo, está catalogando 12 mil negativos, muitos deles feitos na zona rural, para uma exposição de fotos.
Além de receber visitas de estudantes, o museu tem participado de exposições e eventos no Estado onde há a abordagem sobre a cultura do café, levando objetos e documentos sobre a cultura.
Acervo histórico A idéia do Museu do Café nasceu na assembléia que discutiu a dissolução da Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC) em 1990. A Cooperativa Agrícola de Cotia se instalou no Norte do Paraná na década de 50 graças ao esforço de um grupo de produtores que durante 30 anos trabalhou para o desenvolvimento da cultura e a consolidação da cooperativa, considerada na época a maior da América Latina.
Na fundação do museu foi nomeada uma comissão com produtores e funcionários da cooperativa. Aos poucos o acervo foi sendo formado, através de doações de antigos agricultores ou cooperados. ‘‘Muita gente que ia visitar o museu sempre se lembrava de algum objeto que ainda guardava em casa e o trazia’’, conta Ohara.
Outra das preciosidades do local é uma réplica de rancho de palmito, montado dentro do museu que mostra uma cozinha, um exemplo das que existiram nas primeiras propriedades rurais da região.
‘‘O pedaço de rancho tem um significado histórico, pois a maioria dos primeiros cafeicultores da região habitou uma construção desse tipo assim que chegou ao Norte do Paranᒒ, conta Ohara.
A cozinha, segundo ele, era parte nobre do rancho onde a família se reunia e recebia as visitas para um cafezinho (torrado e moído na propriedade) ao redor do fogão a lenha.
Takafumi Fukushima foi o pai da idéia do museu. Ele doou os palmitos para a construção do pedaço de rancho, lampiões, lamparinas, pulverizador de cobre e fotografias.
Outros agricultores reuniram utensílios domésticos, ferramentas e equipamentos. Estão expostos ferro de passar roupa aquecido com brasa, panelas de ferro e alumínio, cunhas, machados, peneiras, rodos, balanças de peso, máquina de escrever, calculadora manual, projetores de filme, gravador, moviola, documentos históricos, entre outros objetos.
O primeiro objeto doado foi um pilão de fazer bolinho de arroz, utilizado por famílias de imigrantes japoneses. Segundo Ciro Ohara essas famílias chegaram na região nos anos 30 e se espalharam de Bandeirantes até Maringá, apostando no café como o ouro verde.
Outra relíquia encontrada no museu, ao lado de facões e enxadas usadas na lavoura, é um nebulizador usado para combater efeitos da geada. O aparelho foi importado dos Estados Unidos mas não deu certo em terras paranaenses já que na sua origem era usado em hortaliças.
História da Cotia O objetivo principal da fundação do museu, segundo Ohara, foi preservar a memória da cafeicultura e do grupo de produtores de café que formou a cooperativa. Com o passar dos anos sob a direção da Cooperativa Integrada, o acervo foi diversificando.
Encontram-se lá os documentos históricos da Cooperativa Agrícola de Cotia, da colonização japonesa no Brasil e especificamente no Norte do Paraná, objetos e utensílios que foram utilizados na cooperativa, tais como máquinas mecânicas de escritório, aparelho de telex, termofax, mimeógrafos, entre outros, que foram ficando obsoletos. Está incorporado também um microcomputador XT, que serviu para elaborar o estatuto social da cooperativa Integrada.
Da Cotia estão guardados vários documentos e livros sobre sua história, relatórios estatísticos e sociais, a partir de 1958, e até recortes de jornais e revistas que noticiaram a crise e a queda da cooperativa.
Serviço: Os interessados em visitar o Museu do Café devem entrar em contato com Ciro Ohara, na Cooperativa Integrada. Ele lembra que as visitas devem ser agendadas com antecedência pelo telefone:(43)374-7005

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