A Cooperativa de Produção Agropecuária Integrada, de Londrina, mantém desde 1991, no pátio de suas instalações no centro da cidade, o Museu do Café do Norte do Paraná. Em poucos metros quadrados estão reunidos apetrechos, utensílios domésticos, ferramentas, equipamentos, documentos e fotos que contam a história dos primeiros cafeicultores da região.
‘‘O museu é um resgate das antigas colônias’’, avisa um dos zeladores do local, Ciro Ohara. Cada peça ali tem valor sentimental e histórico. Doadas por famílias de pioneiros, relembram a chegada dos primeiros agricultores à região, nos anos 20 e 30, que apostaram no café como cultura de sobrevivência e, mais tarde, transformaram a cidade em Capital Mundial do Café.
Do baú dos anos 20, passando pelo moedor de café, até uma coleção de jornais mais recentes, Ohara se emociona ao falar de cada objeto e dos livros que considera uma raridade. Entre eles o ‘‘Atlas Corográfico da Cultura do Café no Paranᒒ, editado em 1941 pelo antigo Departamento Nacional do Café.
Ohara viveu parte de sua infância também ligado ao café. Seu avô e depois seu pai, Kazuo Ohara, plantaram café quando chegaram ao Paraná nos anos 40. A família de Kazuo Ohara, que foi também fotógrafo, está catalogando 12 mil negativos, muitos deles feitos na zona rural, para uma exposição de fotos.
O museu tem participado de exposições e eventos no Estado onde há a abordagem sobre a cultura do café, levando objetos e documentos sobre a cultura.
Acervo histórico A idéia do Museu do Café nasceu na assembléia que discutiu a dissolução da Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC) em 1990. Na fundação, foi nomeada uma comissão com produtores e funcionários da CAC. Aos poucos o acervo foi sendo formado, através de doações de antigos agricultores ou cooperados.
Outra das preciosidades do local é uma réplica de rancho de palmito, montado dentro do museu que mostra uma cozinha, um exemplo das que existiram nas primeiras propriedades rurais da região.
‘‘O pedaço de rancho tem um significado histórico, pois a maioria dos primeiros cafeicultores da região habitou uma construção desse tipo assim que chegou ao Norte do Paranᒒ, conta Ohara.
A cozinha, segundo ele, era parte nobre do rancho onde a família se reunia e recebia as visitas para um cafezinho (torrado e moído na propriedade) ao redor do fogão a lenha.
Takafumi Fukushima foi o pai da idéia do museu. Ele doou os palmitos para a construção do rancho, lampiões, lamparinas, pulverizador de cobre e fotografias. Agricultores reuniram utensílios domésticos e equipamentos.
Outra relíquia encontrada no museu é um nebulizador usado para combater efeitos da geada. O aparelho foi importado dos Estados Unidos mas não deu certo em terras paranaenses já que na sua origem era usado em hortaliças.
História da Cotia O objetivo principal da fundação do museu, segundo Ohara, foi preservar a memória da cafeicultura e do grupo de produtores de café que formou a Cooperativa Agrícola de Cotia. Com o passar dos anos sob a direção da Cooperativa Integrada, o acervo foi diversificando.
Encontram-se lá os documentos históricos da CAC, da colonização japonesa no Brasil e especificamente no Norte do Paraná, objetos e utensílios que foram utilizados na cooperativa, incluindo um microcomputador XT, que serviu para elaborar o estatuto social da cooperativa Integrada.
Da Cotia estão guardados vários documentos e livros sobre sua história, a partir de 1958, e até recortes de jornais e revistas que noticiaram a crise e a queda da cooperativa.
Serviço: Os interessados em visitar o Museu do Café devem entrar em contato com Ciro Ohara, na Cooperativa Integrada. Ele lembra que as visitas devem ser agendadas com antecedência pelo telefone:(43)374-7005

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