Município luta pela recuperação
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sexta-feira, 21 de março de 1997
Silvana Leão 
ExemploViveiro comunitário de mudas de café em Abatiá: um exemplo de como aproveitar bem os recursos do EstadoNo final do ano passado, vários municípios do Estado lançaram seus Planos de Desenvolvimento Rural (PDR), que apresentam ações e programas destinados a desenvolver o município a partir do revigoramento de sua produção agropecuária. Multidisciplinares, estes planos envolvem vários setores da administração municipal, como educação, saúde, saneamento e habitação.
Principalmente nos pequenos municípios, que dependem diretamente da agricultura e pecuária, a iniciativa pode significar a retomada da qualidade de vida e o aumento na captação de recursos, favorecendo diretamente a população. Partindo deste princípio, o município de Abatiá, a 120 quilômetros de Londrina, resolveu encampar o PDR como diretriz de todos os projetos políticos, estendendo-o a outras áreas de ações e batizando-o de Plano de Desenvolvimento Abatiá 2000.
O trabalho está dividido em vários programas (Agricultura, Educação, Saúde, Indústria e Comércio, Cultura e Esportes), que por sua vez estão subdivididos em projetos. Só na área agrícola, por exemplo, estão sendo trabalhados os setores do café, alfafa, bicho-da-seda, peixe, pecuária leiteira, olericultura e fruticultura, infra-estrutura e insumos de apoio à produção, além do projeto Abatiá Ecológico.
Trabalho antigoDe acordo com o prefeito José Luiz Vozni, a intenção é investir fortemente no cidadão e resgatar o gosto pelo lugar, criando espírito, conhecimento e habilidades empreendedoras. A iniciativa foi motivada por fatores como a crise agrícola, o êxodo rural, a queda no comércio local, a falta de iniciativas empresariais e o fato da cidade estar fora das rotas comerciais mais importantes da região.
Dorico da SilvaO produtor Américo Figueiredo Neto em área de café adensado. Esperança de boa produtividade
A rapidez com que o plano vem sendo implantado no município tem razão de ser. Desde 93 a comunidade vem sendo preparada e estimulada a adotar novas técnicas de produção, através da Emater e da própria Prefeitura. Em agosto de 95 foi realizada a primeira reunião com lideranças, parceiros e outros setores preocupados com o destino do município, dando início aos trabalhos visando ao diagnóstico, reflexão e propostas.
Segundo um dos monitores do Abatiá 2000, Renzo Gorreta Hugo, agrônomo responsável pelo escritório da Emater no município, as pessoas estão tendo a oportunidade de discutir os problemas da comunidade e de cada propriedade. Em todos os momentos o processo de implantação do plano seguiu a direção produtor - grupo - município, retornando depois na sequência inversa, afirma Renzo.
Na frenteEle explica que a partir do mês de abril a maioria das ações começarão a ser colocadas em prática. Em se tratando do Programa Agricultura, porém, alguns projetos já estão em andamento. Entre eles o denominado Café Abatiá, que tem definido o esquema para construção de mais viveiros comunitários (ver box nesta página) e onde já foi fechado um grupo empresarial para construção de armazém e beneficiador comunitário.
Outros projetos que saíram na frente, com ações bem definidas - e algumas já realizadas - são os de alfafa, sericicultura, pecuária leiteira e fruticultura. O Projeto de Piscicultura e o Programa de Indústria e Comércio ganharam fôlego com o início da construção de uma indústria de filetagem de peixe no munícipio, que pretende absorver toda a produção local e regional.
Segundo Renzo, que estará falando sobre o Abatiá 2000 este final de semana em Curitiba, ao lado de outros coordenadores da Emater que também trabalham na elaboração de PDRs, alguns fatores foram determinantes para o desenvolvimento do plano no município: vontade política; proposta da nova gestão de comprometer a comunidade na busca por recursos; economia estabilizada, que facilita a visão empresarial; organização do processo pela atuação conjunta dos diversos setores; criação da Secretaria Municipal da Agricultura e reconhecimento pela Prefeitura da Emater como colaboradora no processo de desenvolvimento.


