Jota Oliveira
De Londrina
As projeções para a produção mundial de arroz no ano-safra 1999/2000 apontam para uma colheita de 584,4 milhões de toneladas, correspondentes a um crescimento de 8,9 milhões de toneladas (1,5%) em comparação com a safra passada. Em números absolutos os maiores crescimentos ocorrerão na China (4,2 milhões de t.), EUA e Filipinas (1,1 milhão), Tailândia (0,5 milhão) e Bangladesh (0,6 milhão). Para o Brasil a previsão inicial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) calcula uma queda entre 2,5 e 5,6%, passando de 11,6 para 11,3 milhões de toneladas, no primeiro caso ou 10,9 milhões de t, no segundo.
O consumo mundial de arroz no período 1999/2000 deverá aumentar 1,4% ou 5,4 milhões de toneladas em relação ao ano-safra passado,. Os países onde ocorrerão os maiores crescimentos são: China (aumento de 1,3 milhão de toneladas no consumo; Índia (+ 1,6 milhão t) e Bangladesh (+ 0,5 milhão de toneladas. No Brasil, segundo as projeções da Conab, o aumento esperado é de 0,3%, passando de 11,699 para 11,734 milhões de toneladas.
O comércio mundial de arroz deverá sofrer uma queda de 0,6%, passando de 23,3 para 23,2 milhões de toneladas. A maior queda deverá ocorrer na Índia, com 20,0% (0,6 milhão de t), seguida pela Argentina e Uruguai com 4,8% e 3,4%, respectivamente. O maior volume exportável deverá ser dos EUA, com 9,1% (0,3 milhão de t), seguidos pela China com 5,0% (0,1 milhão de t).
EstoquesOs estoques mundiais no final do ano-safra 1999/2000 deverão ser inferiores em cerca de 1,1 milhão de toneladas, acusando uma redução da ordem de 2,0%. Esse decréscimo é atribuído, sobretudo, à expectativa de queda nos estoques da China, em cerca de 1,7 milhão de toneladas (– 7,3%), e da Indonésia, estimado em 0,6 milhão (– 21,1%).
Por outro lado a Tailândia, a Coréia do Sul, o Paquistão e as Filipinas deverão apresentar aumentos de 0,5, 0,4, 02 e 0,1 milhão de toneladas, respectivamente. Os estoques dos Estados Unidos aumentarão de 0,7 para 1,6 milhão de toneladas, o significa um aumento de 127,6%.
No Brasil, se forem confirmadas as previsões iniciais de importações, o estoque alcançará 1,2 milhão de toneladas, suficientes apenas para 37 dias de consumo.
Oferta e demanda mundialO estoque de passagem dos países do Mercosul no ano-safra 99/2000 será bem superior àquele registrado no ano-safra 98/99. Com isso, apesar da esperada queda de produção, o excedente do Mercosul – sendo confirmadas as exportações da Argentina e do Uruguai – ainda assim será superior ao registrado no período anterior em cerca de 294 mil toneladas, pressupondo um mercado de preços baixos e dificuldades na comercialização.
O primeiro levantamento de intenção de plantio realizado pela Conab aponta para uma queda na produção da ordem de 4,1%, caindo de 11.582,2 para 11.109,8 milhões de toneladas, em média. Caso se confirmem esses números – apesar de se tratar de projeções prematuras – a redução será causada pela diminuição de tecnologia, em decorrência dos preços altos dos insumos, e da dificuldade de acesso ao crédito rural. Por outro lado, se houver redução de área, será pouco representativa, em torno de 1,1%, podendo, inclusive, ser registrado aumento, mesmo que insignificante, dizem os técnicos da Conab.