Multiplicar a renda da propriedade
Cristina Côrtes
De Londrina
Empresários pioneiros no turismo rural no País falam de suas experiências e do potencial da atividade em encontro realizado na Casa do Criador, durante a 40ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. O destaque ficou por conta dos exemplos citados na agregação de renda proporcionada pelo turismo.
O presidente da Associação Brasileira de Turismo Rural, Renato Bravo, que desenvolve a atividade numa propriedade de apenas três hectares em Sobradinho, próxima ao Distrito Federal, conta que uma galinha caipira alcança um valor de R$93,00 na sua propriedade, depois de preparada. Um maço de couve atinge 11 vezes mais o seu valor original. O segredo todo está no preparo, no atendimento oferecido às pessoas que estão cansadas da vida artificial das cidades, comenta Renato.
Breve históricoA atividade surgiu no Brasil há aproximadamente 30 anos, de maneira muito informal, quando alguns produtores começaram a receber visitantes que iam até a propriedade para comprar produtos. Eles gostavam da fazer a visita, do passeio... A prosa ia ficando comprida e os visitantes acabavam ficando para o almoço. Quando o número de convidados foi aumentando, minha mulher disse Por que não cobramos pelo almoço?, pois aí ninguém fica constrangido de voltar, conta Renato.
Desta maneira surgiu o Trem da Serra, nome da propriedade de três hectares que explora suínos, aves e turismo rural. Tem um faturamento de R$30 mil por mês e emprega 26 pessoas.
Atualmente existem 2.500 propriedades explorando o turismo no Brasil e 92% delas estão nas mãos das mulheres. A atividade é feminina por concepção, destaca Renato. A arte de bem receber, de criar ambientes aconchegantes, de enfeitar a sala, enfim todos os detalhes que fazem a diferença são concebidos, quase naturalmente pelas mulheres, completa.
Lajes, em Santa Catarina foi o berço do turismo rural no Brasil, e os principais Estados com empresas de turismo rural estão do Sul, Espirito Santo e Minas Gerais.
ParceriaOs participantes do encontro no Parque Ney Braga ficaram sabendo também que o turismo só vale enquanto opção para complementar a atividade produtiva. Renato informou que, para se conseguir o registro da propriedade, a Embratur faz quatro exigências: que a propriedade seja economicamente viável; ecologicamente correta; socialmente justa e verdadeiramente rural.
Os visitantes pagam para ver você trabalhar, comenta Renato, quando fala que não é necessário criar nada fantástico para atrair os turistas. As pessoas que moram na cidade estão cansadas da vida artificial e qualquer tipo de propriedade pode se tornar turística. Basta saber receber bem. Quando diz isso, Renato compara o turismo rural que foi conhecer na Europa, de onde dizem que o sistema é originário. Foi uma decepção. As propriedades são bonitas, mas os europeus não têm o calor humano do brasileiro ao receber, conta.
O empresário lembrou que para esta atividade não existem modelos de instalações nem receitas prontas. Cada um pode partir do que já tem e explorar justamente as diferenças. Vocês já perceberam que os supermercados e shoppings são todos iguais em qualquer lugar do mundo. Pois é, as pessoas estão enjoadas desta mesmice. Nenhum sítio ou chácara é igual em nenhum lugar do mundo e esta característica, por si só, já é um fator de atração. Cita dois exmplos de empreendimentos que deram certo e são muito diferentes: a Fazenda Santa Bárbara, em Aparecida do Taboá , que fica a 350 km de São Paulo e outra propriedade em Natividade, no Estado de Tocantins, a 400 km de Palmas. São diferentes, longe de centros grandes e deram certo porque souberam explorar justamente essas diferenças, diz.
ExtensãoO palestrante disse ainda que o Paraná tem um potencial incrível pela estrutura e pujança de suas propriedades e pela localização do Estado, num corredor para o Mercosul. Hoje já existe a Associação Paranaense de Turismo Rural.
E destacou o trabalho da extensão, que é o principal elo de ligação entre os públicos urbano e rural. Sérgio Schimitt, assessor regional de comunicação da Emater comentou que a parceria com a Sociedade Rural do Paraná, Unopar e prefeituras municipais de Rolândia, Ibiporã, Tamarana e Londrina estão impulsionando a atividade na Região Norte do Estado.
Este ano, pela primeira vez na Via Rural, um espaço de mais de 5 mil metros quadrados foi ocupado com uma unidade desmonstrativa apresentando os principais indicativos que compõem o Turismo Rural, como mata ciliar, artesanto rural, formação acadêmica, proteção ambiental, monitoramento, trilhas ecológicas e os principais empreendimentos já existentes na região.Potencial para compor parceria com a atividade produtiva em qualquer tipo de propriedade
Turismo ruralRenato Bravo, presidente da Asssociação Brasileira de Turismo Rural: o brasileiro sabe receber bem, com simplicidade e aconchego





