Multiplicadores focam nas cultivares de trigo
Multiplicador de sementes há cerca de 20 anos, o produtor Américo Amano conhece bem este mercado. Apesar da quebra de 20% na sua produção de soja este ano, ele agora espera bons resultados com a comercialização do trigo.
No verão, o produtor utiliza os 200 hectares (ha) da sua propriedade para a produção de soja. De toda a oleaginosa que planta, cerca de 70% é aproveitada como semente e o restante vai para a indústria. Na safra de inverno, 100 ha são dedicados à semente de trigo e outros 100 ha para a produção normal do milho safrinha.
"Envio o produto para a cooperativa, mas só sei qual será o aproveitamento como semente na próxima comercialização. No caso da soja, a partir de dezembro. Acredito que este ano o aproveitamento vai ser menor para sementes, os grãos estavam mais miúdos e esverdeados devido ao clima quente do início de ano", comentou Amano.
A avaliação da semente leva em conta vigor e germinação. Amano explica que é mais fácil trabalhar com o trigo, já que o grão é mais forte e resistente. "A película que envolve o grão de soja é mais delicada, o que faz com que os danos mecânicos sejam maiores durante a colheita. Já o trigo, a situação é crítica apenas se ocorrer chuvas na colheita."
Apesar da situação não tão favorável nesta safra, principalmente devido à soja, o multiplicador de sementes se diz satisfeito com o mercado. "A pesquisa tem trabalhado com materiais novos, de alta produtividade e tecnologia, e isso tem nos dado um ótimo retorno, já que ganhamos conforme a comercialização da variedade", relata o produtor.
Por outro lado, o investimento também é maior. Amano relata, por exemplo, que realiza duas aplicações a mais de fungicidas do que o normal, já que as doenças fúngicas comprometem bastante a germinação da semente. "Ganhamos de um lado, mas investimos forte do outro, até porque também é preciso pagar os royalties devido à tecnologia dos produtos."
Em relação ao plantio das sementes de trigo, o produtor está bastante otimista. Ele relembra que no ano passado conseguiu "driblar a geada" e fechou com produtividade de 100 sacas por alqueire. "Tudo vai depender do clima, mas acho que não teremos problemas este ano." (V.L.)





