Multiplicação de sementes e baixo preço
Na zona rural, onde está grande parte dos desnutridos brasileiros, o desenvolvimento de milhos fortificados pode ajudar a alterar, favoravelmente, os números da desnutrição no país.
Ao observarmos mais atentamente o exemplo da creche do distrito Paiquerê, os resultados poderiam ser ainda melhores, se as crianças fossem alimentadas com derivados de milhos fortificados.
''É uma tecnologia que poderíamos levar para aquele distrito'', avalia o pesquisador Walter Fernandes Meirelles Maize Breeder, da Embrapa Soja, em Londrina, mestre em melhoramento de plantas. Ele é ligado à Embrapa Milho e Sorgo, de Sete Lagoas (MG), que desde a década de 80 investe na produção de variedades fortificadas.
Para o pesquisador é difícil levantar o número de produtores no Paraná que produzem os milhos QTMs. A maior produção ocorre na região Sudoeste, onde a divulgação foi mais ampla e ainda conta com a ajuda de algumas Organizações Não-Governamentais (ONGs) e associações que trabalham com Agroecologia. As ONGs estão organizando pequenas comunidades rurais e incentivando a plantação dessas cultivares.
Desde que chegou a Londrina, em 2000, Breeder investe nesta divulgação, especialmente junto a pequenos produtores. ''A produção de sementes é feita somente pela Embrapa Milho'', destaca.
Essas variedades, explica o pesquisador, são menos produtivas que os híbridos. ''Em solos com condições normais de fertilidade e água é possível colher de 4 a 6 toneladas por hectare. Boa adubação pode melhorar a produção''. Outro fator que auxilia é altitude em torno de 900 metros, orienta.
Em Minas, a pesquisa pode avaliar o impacto do consumo de milho biofortificados e dos seus derivados produzidos pelas indústrias moageiras. ''Lá, a Embrapa possui vídeos sobre a qualidade nutricional de milho bioforticados com testemunhos das primeiras comunidades, creches e escolas municipais que consomem bolos, broas e mingau preparados com derivados desses variedades. Médicos das prefeituras acompanham essa população, verificando mudanças no aspecto nutricional'', ressalta.
No Paraná, há experiências em Telêmaco Borba e Sapopema com pequenos produtores que aproveitam ainda a vantagem do baixo custo das sementes. ''Enquanto uma saca de milho híbrido custa cerca de R$ 1.2 mil, a dos biofortificados está em torno de R$ 50'', informa. A variedade, segundo o pesquisador, permite a multiplicação das sementes na propriedade desde que obedecidas algumas recomendações, como o plantio isolado de outros tipos de milho. Na região de Tamarana, alguns produtores também já demostraram interesse pela variedade. (F.L.)





